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Pesquisadora do FoRC vence Prêmio Capes de Teses com estudo sobre ação anticancerígena das fibras do mamão papaia

O trabalho relacionou o amadurecimento da fruta com o aumento do efeito benéfico de suas fibras. Propriedades do mamão maduro ajudaram a inibir lesões pré-neoplásicas no cólon em ratos.

A nutricionista Samira Bernardino Ramos do Prado, pesquisadora do Centro de Pesquisa em Alimentos (Food Research Center – FoRC), foi a vencedora na área de Ciência de Alimentos da última edição do Prêmio Capes de Teses, que selecionou as melhores teses de doutorado defendidas em 2019. Coordenado por João Paulo Fabi, pesquisador do FoRC e professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP), o estudo demonstrou que a pectina – um tipo de fibra solúvel – do mamão papaia maduro é capaz de inibir o surgimento de lesões pré-neoplásicas no intestino em ratos, que aparecem antes do desenvolvimento do câncer de cólon.

O grupo foi pioneiro ao relacionar o amadurecimento do mamão e as diferentes estruturas da pectina – que variam de acordo com o estágio de maturação da fruta – ao aumento dos benefícios de seu consumo. Nos testes, ratos com lesões pré-neoplásicas no intestino foram alimentados com a fibra do mamão verde e a fibra do mamão maduro. Um terceiro grupo de animais, que serviu como grupo controle, foi alimentado com celulose, uma fibra insolúvel que não é biologicamente ativa. Posteriormente, os pesquisadores contaram as lesões em cada grupo e verificaram que os ratos que consumiram a fibra do mamão maduro tinham menos lesões do que os outros.

A pesquisadora também demonstrou em ensaios in vitro com células humanas de câncer que as fibras do mamão maduro tiveram um melhor desempenho ao induzir a morte de células cancerígenas e inibir a sua proliferação e migração. Um dos alvos dessa etapa foi a galectina-3 – proteína produzida normalmente pelo organismo que, em alguns tipos de câncer, tem sua expressão aumentada. Ela é uma das responsáveis por aumentar a migração das células do tumor, tornando-o mais agressivo.

“Um fragmento dessa proteína é capaz de se ligar à fibra, que é um tipo de carboidrato. Se a galectina se liga à fibra, ela não se liga à célula cancerígena que ajudaria a migrar. Isso poderia amenizar o efeito mais invasivo do câncer”, explica Prado. Ao fazer esses testes com diferentes estruturas da pectina do mamão, o grupo conseguiu identificar algumas estruturas específicas que se ligam à galectina-3.

Progresso – A linha de pesquisa coordenada pelo professor João Paulo Fabi é fruto de um projeto que teve início em 2014, financiado pelo programa Jovens Pesquisadores da FAPESP e intitulado “Alterações biológicas das pectinas de mamão com possíveis benefícios à saúde humana”. Nos próximos passos, a equipe busca entender os mecanismos envolvidos na inibição das lesões em ratos.

De acordo com os resultados da tese de Samira Prado, os cientistas pretendem analisar duas hipóteses. A primeira é que a fermentação colônica das fibras pode variar dependendo de suas estruturas – no caso do mamão maduro, essa fermentação pode ser mais benéfica. “Estamos estudando os derivados dessa fermentação, como os ácidos graxos de cadeia curta, para tentar identificar diferenças entre os três grupos. Também vamos verificar a abundância das bactérias no intestino dos ratos”, afirma Fabi.

O outro caminho é verificar como as frações de fibras solúveis remanescentes da fermentação interagem com o tecido epitelial do intestino, possivelmente alterando a expressão de algumas proteínas relacionadas ao início e à progressão do câncer de cólon.

O Prêmio Capes de Teses é concedido anualmente desde 2006 para reconhecer os melhores trabalhos de doutorado defendidos em diversas áreas de conhecimento. Ainda não há data para a cerimônia de premiação que ocorrerá em Brasília – DF.

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Angela Trabbold

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Por Acadêmica
RCGI ganha Prêmio ANP de Inovação Tecnológica

Trata-se de uma inovação disruptiva, em nível mundial, que possibilitará monetizar o gás natural oriundo das reservas do pré-sal, além de evitar mais emissões de CO2 na atmosfera.

 O Fapesp Shell Research Centre for Gas Innovation (RCGI) foi um dos vencedores do Prêmio ANP de Inovação Tecnológica 2019, com um projeto de pesquisa que possibilitará ao Brasil monetizar o gás natural explorado nas reservas do pré-sal, sem um dos seus principais contaminantes: o dióxido de carbono (CO2). O projeto do RCGI venceu na Categoria II da área temática “Exploração e Produção de Petróleo e Gás”. Ao todo, concorreram 147 projetos de pesquisa, em cinco categorias.

O projeto do RCGI prevê a abertura de cavernas na camada de sal, onde o gás natural seria confinado para posterior separação do metano e do CO2. Isso ocorreria por meio de uma tecnologia de separação gravitacional, desenvolvida e encaminhada para patente pelo RCGI. “A caverna é mantida em alta pressão até que o CO2 passe para um estado supercrítico e decante. O metano, que se manteve em estado gasoso no processo, seria então retirado, aliviando a pressão na caverna e fazendo com que o CO2 voltasse ao estado gasoso. Esse ciclo seria repetido até o total preenchimento da caverna com CO2, quando, então, esta seria lacrada”, explica o diretor científico do RCGI, Júlio Meneghini, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (poli-USP).

Embora já existam cavernas com esta finalidade, é a primeira vez que se desenvolve uma tecnologia para águas ultraprofundas. “Além de separar o metano do CO2, em quantidades enormes, a um custo relativamente baixo, poderemos estocar carbono e vender créditos para o mundo”, ressalta Meneghini, acrescentando trata-se de uma inovação disruptiva, em nível mundial.

Ele destaca que o prêmio é um exemplo da importância de um centro de pesquisa como o RCGI, essencialmente multidisciplinar. “Ideias como essa só são concebidas por equipes multidisciplinares, compostas por engenheiros mecânicos, químicos, navais, economistas, advogados, entre outros profissionais.”

Projeto piloto – A equipe estuda agora a construção de um projeto piloto em uma caverna, para estudar in loco as condições de separação dos dois gases. Segundo o coordenador do projeto, Gustavo Assi, também professor da Poli-USP, a meta é concluir o plano da caverna piloto nos próximos 24 meses. “A construção e operação de uma caverna piloto é um grande experimento científico e tecnológico em campo, capaz de fornecer informações detalhadas dos processos físicos que ocorrem nas grandes cavernas de armazenamento e separação”, adianta.

Além de Assi, a equipe é composta pelos professores Kazuo Nishimoto, Julio Meneghini, Claudio Sampaio, Marcelo Martins e André Bergsten – todos da Poli-USP – e pelos pesquisadores Leandro Grandin, Carlos Bittencourt, Alvaro Maia da Costa, Pedro Maia da Costa, Edgard Malta, Felipe Ruggeri e Guilherme Rosetti, entre outros pós-doutorandos e pesquisadores associados. Além da Shell e da USP, o projeto tem como parceiras as empresas Modecom, Technomar, Agronautica e Granper.

 

 

 

 

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Por Acadêmica