Pesquisa analisa mudanças nos hábitos alimentares e estilo de vida dos brasileiros durante a pandemia

Desenvolvido pelo FoRC em parceria com a Universidade de Bonn, Alemanha, o questionário deve servir de base para pensar em estratégias de melhoria para o pós-COVID-19.

 

Como a pandemia influenciou a alimentação e a saúde dos brasileiros? Para responder à questão, pesquisadores do Centro de Pesquisa em Alimentos (Food Research Center – FoRC) e do Centro de Pesquisa para o Desenvolvimento da Universidade de Bonn, Alemanha, desenvolveram uma pesquisa intitulada “Avaliação dos hábitos alimentares e estilo de vida da população brasileira durante a pandemia de COVID-19”. O estudo é coordenado pelos professores Uelinton Pinto e Christian Hoffmann, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP.

O questionário dura cerca de 20 minutos e possui 40 perguntas, que abordam aspectos pessoais e financeiros – idade, escolaridade, localização, ocupação atual, renda familiar mensal – e questões relacionadas à alimentação e ao estilo de vida durante a pandemia, como consumo de alimentos processados ou delivery, de frutas e legumes, de bebidas alcoólicas; tabagismo e prática de exercícios físicos ao ar livre e em casa. A expectativa da equipe é obter pelo menos 3 mil respostas. Para participar, é preciso ter mais de 18 anos e morar no Brasil.

Segundo a pesquisadora Juliana Minetto Gellert Paris, doutoranda da Universidade de Bonn que está conduzindo o estudo, o foco inicial do seu trabalho era avaliar a sustentabilidade do consumo de alimentos na Alemanha sob a ótica do One Health (Saúde Única) – projeto que prioriza a conexão entre o ser humano, o animal e o meio ambiente para atingir a “saúde única”. No entanto, durante a pandemia, foi necessário adaptar o estudo à nova realidade, e abriu-se a oportunidade de pesquisar também no Brasil. Com a parceria entre as duas instituições, o questionário foi desenvolvido em dois meses e adaptado para a população brasileira.

“Houve uma mudança muito grande na sociedade na forma de aquisição de alimentos. A dinâmica dos mercados mudou, a forma de você fazer compras mudou. É preciso usar máscara, higienizar as mãos constantemente, higienizar embalagens, manter distanciamento. Além disso, algumas pessoas passaram a estocar certos alimentos de forma exagerada, com receio de desabastecimento”, afirma Paris.

Os pesquisadores esperam que o estudo influencie o desenvolvimento de estratégias para melhorar a alimentação e o estilo de vida da população no pós-COVID-19. “Não temos como prever todas as consequências do momento histórico que estamos vivendo. Mas podemos usar esse momento para repensar como nos alimentamos – entender como a alimentação impacta a nossa saúde, o meio ambiente e a saúde dos animais. E pensar em estratégias mais sustentáveis que possam permanecer depois da pandemia”.

 

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