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Monthly Archives: novembro 2020

Engenheiros de Alimentos da USP questionam definições no Guia Alimentar para a População Brasileira e recomendam uma revisão

O Guia Alimentar para a População Brasileira, publicado em 2014 pelo Ministério da Saúde e hoje alvo de críticas da pasta da agricultura, precisa passar por uma revisão no que diz respeito ao Capítulo 2, onde consta o sistema NOVA de classificação dos alimentos. Esta é a opinião dos especialistas na área de Engenharia de Alimentos, docentes da Universidade de São Paulo (USP), que acabam de publicar um artigo com críticas à essa classificação.

O artigo é assinado pelos professores Rodrigo Rodrigues Petrus, Paulo José do Amaral Sobral e Cintia Bernardo Gonçalves, do Departamento de Engenharia de Alimentos da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo, e pela professora Carmen Cecilia Tadini, do Laboratório de Engenharia de Alimentos da Escola Politécnica. Sobral e Tadini são também pesquisadores principais do Centro de Pesquisa em Alimentos (Food Research Center – FoRC) da USP.

Veja a íntegra do artigo aqui. Veja abaixo os principais questionamentos.

Os autores do artigo esclarecem que o objetivo do processamento de alimentos vai muito além de aumentar sua duração e torná-los mais agradáveis ao paladar. Envolve tecnologias que eliminam ou reduzem agentes potencialmente patogênicos a níveis seguros, preservam a qualidade funcional, nutricional e sensorial por meio da inativação de enzimas e micro-organismos deteriorantes, reduzem desperdícios, favorecem as políticas de segurança alimentar e promovem a sustentabilidade, entre vários outros benefícios.

In natura e minimamente processados

De acordo com o Guia, os alimentos da categoria 1 – in natura ou minimamente processados – são aqueles que não envolvem a adição de sal, açúcar, óleos, gorduras ou outras substâncias ao alimento original. No entanto, os Engenheiros de Alimentos e pesquisadores da USP esclarecem que o processamento mínimo de alimentos – predominantemente de origem vegetal, como frutas e hortaliças – pode sofrer intervenções químicas, como o tratamento com soluções contendo acidulantes, antioxidantes e antimicrobianos. Isso muitas vezes é necessário porque os vegetais submetidos ao descascamento, corte e fatiamento, como ocorre no processamento mínimo, deterioram-se mais rapidamente.

Outro equívoco pode ser observado nos exemplos de alimentos minimamente processados citados pelo Guia, como leite pasteurizado, leite longa vida, leite em pó e sucos de fruta pasteurizados. Os pesquisadores esclarecem que os alimentos mencionados são submetidos a tratamentos térmicos, que variam de 72 ºC a 145 ºC de acordo com o produto, sendo portanto, alimentos processados. Os alimentos minimamente processados não são submetidos a tratamentos térmicos.

Ingredientes culinários processados

Em relação aos alimentos da categoria 2 (ingredientes culinários processados), o Guia chama atenção para o consumo excessivo de óleo, gorduras, sal e açúcar, que pode causar problemas de saúde. Os Engenheiros de Alimentos reconhecem a importância dessa informação, mas acreditam que é necessária melhor contextualização sobre os riscos do excesso e os benefícios de uma dieta equilibrada com óleos e gorduras. “Este grupo de alimentos é fonte de ácidos graxos essenciais (que nosso corpo não consegue sintetizar) e exerce papel fundamental no transporte e na absorção de vitaminas lipossolúveis e na síntese de hormônios, por exemplo”.

Alimentos processados

Segundo o Guia Alimentar, os alimentos processados (categoria 3) são aqueles fabricados pela indústria com adição de sal ou açúcar a alimentos in natura, para torná-los duráveis e mais agradáveis ao paladar, e seu consumo deve ser limitado. O primeiro ponto destacado na análise dos pesquisadores da USP é que nem todos os alimentos processados têm adição de açúcar e/ou sal, como sucos integrais de frutas e hortaliças e leite pasteurizado ou longa vida.

O Guia também informa que os métodos usados no processamento de alimentos prejudicam a sua composição nutricional, o que é refutado pelos pesquisadores. “Os nutrientes são substancialmente preservados durante o processamento, especialmente quando métodos não térmicos de estabilização são empregados. O processamento em escala doméstica muitas vezes é mais drástico e exerce um impacto significativamente mais negativo no valor nutricional do alimento comparado ao processo em escala industrial”.

Alimentos ultraprocessados

À luz da Engenharia e Ciência de Alimentos, o prefixo ‘ultra’ remete à intensidade de um determinado tratamento ou processo aplicado no alimento, mas não tem nenhuma relação com a sua composição”, afirmam os pesquisadores.

O artigo também esclarece que os aditivos (emulsificantes, antioxidantes, acidulantes, conservadores etc.) incorporados aos alimentos industrializados desempenham função tecnológica, visando melhorar a qualidade e segurança. É o caso do ácido cítrico em conservas de palmito, que impede a produção da toxina botulínica. Antes de aplicados em alimentos, os aditivos são submetidos a rigorosos protocolos de análise toxicológica por agências reguladoras reconhecidas internacionalmente, e submetidos periodicamente à reavaliação, de acordo com os avanços da Ciência.

Alimentação saudável

 Os cientistas incentivam as práticas alimentares saudáveis, com dietas ricas em fibras (frutas, hortaliças e cereais integrais) e a ingestão de alimentos com baixo teor de sal e açúcar. “Sempre que possível, recomenda-se o preparo dos próprios alimentos, o consumo de produtos orgânicos – industrializados ou não – advindos de produtores locais, bem como o consumo apenas esporádico e ocasional de alimentos muito calóricos e pouco nutritivos”.

Para os autores, é essencial que o consumidor seja informado corretamente. A saudabilidade de um alimento não está necessariamente relacionada ao número de ingredientes, intensidade ou número de processos e nem ao local de processamento – cozinha ou grande indústria –, e sim ao teor de nutrientes e componentes funcionais.

 

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Pesquisadora do FoRC vence Prêmio Capes de Teses com estudo sobre ação anticancerígena das fibras do mamão papaia

O trabalho relacionou o amadurecimento da fruta com o aumento do efeito benéfico de suas fibras. Propriedades do mamão maduro ajudaram a inibir lesões pré-neoplásicas no cólon em ratos.

A nutricionista Samira Bernardino Ramos do Prado, pesquisadora do Centro de Pesquisa em Alimentos (Food Research Center – FoRC), foi a vencedora na área de Ciência de Alimentos da última edição do Prêmio Capes de Teses, que selecionou as melhores teses de doutorado defendidas em 2019. Coordenado por João Paulo Fabi, pesquisador do FoRC e professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP), o estudo demonstrou que a pectina – um tipo de fibra solúvel – do mamão papaia maduro é capaz de inibir o surgimento de lesões pré-neoplásicas no intestino em ratos, que aparecem antes do desenvolvimento do câncer de cólon.

O grupo foi pioneiro ao relacionar o amadurecimento do mamão e as diferentes estruturas da pectina – que variam de acordo com o estágio de maturação da fruta – ao aumento dos benefícios de seu consumo. Nos testes, ratos com lesões pré-neoplásicas no intestino foram alimentados com a fibra do mamão verde e a fibra do mamão maduro. Um terceiro grupo de animais, que serviu como grupo controle, foi alimentado com celulose, uma fibra insolúvel que não é biologicamente ativa. Posteriormente, os pesquisadores contaram as lesões em cada grupo e verificaram que os ratos que consumiram a fibra do mamão maduro tinham menos lesões do que os outros.

A pesquisadora também demonstrou em ensaios in vitro com células humanas de câncer que as fibras do mamão maduro tiveram um melhor desempenho ao induzir a morte de células cancerígenas e inibir a sua proliferação e migração. Um dos alvos dessa etapa foi a galectina-3 – proteína produzida normalmente pelo organismo que, em alguns tipos de câncer, tem sua expressão aumentada. Ela é uma das responsáveis por aumentar a migração das células do tumor, tornando-o mais agressivo.

“Um fragmento dessa proteína é capaz de se ligar à fibra, que é um tipo de carboidrato. Se a galectina se liga à fibra, ela não se liga à célula cancerígena que ajudaria a migrar. Isso poderia amenizar o efeito mais invasivo do câncer”, explica Prado. Ao fazer esses testes com diferentes estruturas da pectina do mamão, o grupo conseguiu identificar algumas estruturas específicas que se ligam à galectina-3.

Progresso – A linha de pesquisa coordenada pelo professor João Paulo Fabi é fruto de um projeto que teve início em 2014, financiado pelo programa Jovens Pesquisadores da FAPESP e intitulado “Alterações biológicas das pectinas de mamão com possíveis benefícios à saúde humana”. Nos próximos passos, a equipe busca entender os mecanismos envolvidos na inibição das lesões em ratos.

De acordo com os resultados da tese de Samira Prado, os cientistas pretendem analisar duas hipóteses. A primeira é que a fermentação colônica das fibras pode variar dependendo de suas estruturas – no caso do mamão maduro, essa fermentação pode ser mais benéfica. “Estamos estudando os derivados dessa fermentação, como os ácidos graxos de cadeia curta, para tentar identificar diferenças entre os três grupos. Também vamos verificar a abundância das bactérias no intestino dos ratos”, afirma Fabi.

O outro caminho é verificar como as frações de fibras solúveis remanescentes da fermentação interagem com o tecido epitelial do intestino, possivelmente alterando a expressão de algumas proteínas relacionadas ao início e à progressão do câncer de cólon.

O Prêmio Capes de Teses é concedido anualmente desde 2006 para reconhecer os melhores trabalhos de doutorado defendidos em diversas áreas de conhecimento. Ainda não há data para a cerimônia de premiação que ocorrerá em Brasília – DF.

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Estudo testa aquecimento por micro-ondas para aumentar vida útil do camarão

Em parceria com pesquisadores franceses, cientistas do FoRC desenvolveram um modelo matemático avançado capaz de simular o processo. Objetivo é eliminar microrganismos patogênicos que podem contaminar o alimento ao ser embalado.

Uma pesquisa conduzida pelo Centro de Pesquisa em Alimentos (Food Research Center – FoRC), em parceria com a École Nationale Vétérinaire, Agroalimentaire et de L’Alimentation Nantes-Atlantique – Oniris (França), busca aumentar a vida de prateleira do camarão processado – que costuma ser de apenas 10 a 12 dias – utilizando um pós-tratamento de pasteurização por micro-ondas. Como essa técnica de aquecimento é heterogênea, o grupo desenvolveu um modelo matemático, validado por testes experimentais, que simula a distribuição de temperatura no alimento durante a radiação de micro-ondas.

A partir do modelo, seria possível controlar o processo e desenvolver protótipos de equipamentos de micro-ondas que aqueçam o camarão de forma mais homogênea, garantindo a eliminação de microrganismos patogênicos e deterioradores. O alvo do estudo foi a Listeria monocytogenes, uma bactéria resistente ao calor e que causa listeriose – infecção alimentar nociva principalmente para mulheres grávidas e pessoas com o sistema imune comprometido.

Segundo o professor Jorge Andrey Wilhelms Gut, pesquisador do FoRC e do Laboratório de Engenharia de Alimentos da Escola Politécnica da USP, o camarão passa por processos de aquecimento e resfriamento antes de ser embalado. “No entanto, no ato de embalar, o alimento pode sofrer alguma contaminação por bactérias patogênicas e deteriorantes, o que pode apresentar risco para a saúde do consumidor e limitar a sua vida útil”, explica Gut, que orientou a parte da pesquisa feita no FoRC.

Inicialmente, para identificar a distribuição da temperatura no camarão, os pesquisadores analisaram como camarões únicos, não embalados, se comportam diante de uma fonte de calor convencional e de micro-ondas. “Entender a distribuição da temperatura é importante para conseguir eliminar os microrganismos e obter um alimento mais seguro, e para evitar um super processamento, ou seja, que uma parte do alimento aqueça muito a ponto de sofrer alterações”, afirma Érica Siguemoto, pós-doutoranda que conduz o estudo.

Os cientistas determinaram em laboratório as propriedades físicas, térmicas e elétricas do alimento para inserir no modelo. “Também fizemos testes em diferentes tempos e potências de aquecimento para verificar se há alguma alteração visual ou de textura, que poderia ser um fator limitante. Não houve mudança em nenhum dos casos”, acrescenta.

A partir dos experimentos feitos na USP, Érica Siguemoto deu continuidade ao seu pós-doutorado na instituição Oniris, na França, com uma bolsa do programa Research Food Innovation: Food for Tomorrow, e desenvolveu o modelo matemático. O trabalho envolveu uma equipe multidisciplinar, com especialistas em microbiologia preditiva, engenharia de processos, ciência de alimentos e modelagem matemática. O próximo passo é fazer os chamados challenge tests (testes de desafio), para avaliar a eficácia do pós-tratamento com micro-ondas na eliminação das bactérias e na extensão da vida útil do camarão embalado.

“Um dos grandes diferenciais do estudo foi a preocupação com a geometria real do alimento na hora de fazer a modelagem. Sabemos que essa proximidade com a realidade impacta na acuracidade do modelo, na predição das respostas”, destaca a pesquisadora. A pesquisa também possui um forte apelo socioeconômico – o Brasil e a França são importantes produtores e consumidores de camarão. Em 2018, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil produziu 45,8 mil toneladas do alimento.

 

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Pesquisa analisa mudanças nos hábitos alimentares e estilo de vida dos brasileiros durante a pandemia

Desenvolvido pelo FoRC em parceria com a Universidade de Bonn, Alemanha, o questionário deve servir de base para pensar em estratégias de melhoria para o pós-COVID-19.

 

Como a pandemia influenciou a alimentação e a saúde dos brasileiros? Para responder à questão, pesquisadores do Centro de Pesquisa em Alimentos (Food Research Center – FoRC) e do Centro de Pesquisa para o Desenvolvimento da Universidade de Bonn, Alemanha, desenvolveram uma pesquisa intitulada “Avaliação dos hábitos alimentares e estilo de vida da população brasileira durante a pandemia de COVID-19”. O estudo é coordenado pelos professores Uelinton Pinto e Christian Hoffmann, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP.

O questionário dura cerca de 20 minutos e possui 40 perguntas, que abordam aspectos pessoais e financeiros – idade, escolaridade, localização, ocupação atual, renda familiar mensal – e questões relacionadas à alimentação e ao estilo de vida durante a pandemia, como consumo de alimentos processados ou delivery, de frutas e legumes, de bebidas alcoólicas; tabagismo e prática de exercícios físicos ao ar livre e em casa. A expectativa da equipe é obter pelo menos 3 mil respostas. Para participar, é preciso ter mais de 18 anos e morar no Brasil.

Segundo a pesquisadora Juliana Minetto Gellert Paris, doutoranda da Universidade de Bonn que está conduzindo o estudo, o foco inicial do seu trabalho era avaliar a sustentabilidade do consumo de alimentos na Alemanha sob a ótica do One Health (Saúde Única) – projeto que prioriza a conexão entre o ser humano, o animal e o meio ambiente para atingir a “saúde única”. No entanto, durante a pandemia, foi necessário adaptar o estudo à nova realidade, e abriu-se a oportunidade de pesquisar também no Brasil. Com a parceria entre as duas instituições, o questionário foi desenvolvido em dois meses e adaptado para a população brasileira.

“Houve uma mudança muito grande na sociedade na forma de aquisição de alimentos. A dinâmica dos mercados mudou, a forma de você fazer compras mudou. É preciso usar máscara, higienizar as mãos constantemente, higienizar embalagens, manter distanciamento. Além disso, algumas pessoas passaram a estocar certos alimentos de forma exagerada, com receio de desabastecimento”, afirma Paris.

Os pesquisadores esperam que o estudo influencie o desenvolvimento de estratégias para melhorar a alimentação e o estilo de vida da população no pós-COVID-19. “Não temos como prever todas as consequências do momento histórico que estamos vivendo. Mas podemos usar esse momento para repensar como nos alimentamos – entender como a alimentação impacta a nossa saúde, o meio ambiente e a saúde dos animais. E pensar em estratégias mais sustentáveis que possam permanecer depois da pandemia”.

 

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Um ponto final nas dúvidas sobre a suposta transmissão do Sars-CoV-2 por meio dos alimentos

Três microbiologistas do Centro de Pesquisa em Alimentos da USP fazem uma ampla revisão científica para mostrar o que é fato ou suposição sobre o assunto.

Os alimentos ou suas embalagens são transmissores do vírus Sars-CoV-2? Os alimentos podem causar Covid-19? O setor de alimentação e a indústria de alimentos são responsáveis pela propagação do Sars-CoV-2? Quais as medidas preventivas que os consumidores podem adotar para proteger sua saúde? Para responder a essas perguntas, três microbiologistas do Centro de Pesquisa em Alimentos (Food Research Center – FoRC) da USP fizeram uma ampla revisão científica para mostrar, neste artigo, o que é fato ou suposição sobre o assunto. O artigo, publicado originalmente na Revista Estudos Avançados do IEA-USP, é assinado por Bernadette Dora Gombossy de Melo Franco, professora titular da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP) e diretora do FoRC; por Mariza Landgraf e Uelinton Manoel Pinto, ambos professores associados da FCF-USP e pesquisadores associados do FoRC.

Leia abaixo o artigo.

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Alimentos, Sars-CoV-2 e Covid-19: contato possível, transmissão improvável

Introdução
Os primeiros casos de Síndrome Respiratória Aguda Severa (Sars – Severe Acute Respiratory Syndrome), causada pelo novo coronavírus Sars–CoV-2, surgiram na China, no final de 2019. Em março de 2020, 117 países já haviam reportado a ocorrência de casos, fazendo que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarasse a existência de uma pandemia, que denominou Covid-19 (Coronavirus Disease-2019). O agente etiológico recebeu a denominação Sars-CoV-2, para distingui-lo do Sars-CoV, responsável pela pandemia anterior de Sars, ocorrida em 2002-2003 (WHO, 2020; Wu et al., 2020).

No Brasil, o Ministério da Saúde, pela Portaria n.188, de 8 de fevereiro de 2020, oficializou haver “Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional em Decorrência da Infecção Humana pelo Novo Coronavírus”, e estabeleceu o Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE-nCoV), sob responsabilidade da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS/MS), para executar a gestão da resposta à emergência no âmbito nacional (Brasil, 2020c). O primeiro caso na América Latina foi confirmado em São Paulo em 26 de fevereiro de 2020, mediante importação do vírus do norte da Itália, comprovada pela análise genética do vírus (Jesus et al., 2020; Candido et al., 2020).

Quando surgiram os primeiros casos de Covid-19, a síndrome era pouco conhecida, assim como pouco se sabia sobre o novo coronavírus Sars-CoV-2. O combate à pandemia impulsionou avanços na pesquisa científica de uma maneira jamais vista, e manter-se atualizado sobre os novos conhecimentos é um desafio enorme para todos. Um desafio ainda maior é distinguir informações baseadas em ciência de qualidade daquelas baseadas em pseudociência e opiniões pessoais ou de grupos comprometidos com diferentes interesses, com pouca ou nenhuma fundamentação científica. Ganharam destaque as comunicações instantâneas, que circulam de maneira rápida pelos jornais eletrônicos e mídias sociais e que têm, entre suas principais particularidades, a ausência de verificação dos fatos que anunciam. Notícias falsas ou incompletas consolidam-se como fontes de informações inquestionáveis e fidedignas, caminhando em direção oposta aos discursos da ciência (Henriques; Vasconcelos, 2020; Matos, 2020). Uma preocupação adicional é a prática já corrente de publicação de artigos em periódicos científicos de renome ou em repositórios online antes da avaliação e aprovação por especialistas da área correspondente, dada a necessidade de divulgação rápida dos novos conhecimentos para o combate da Covid-19.

Nesse contexto, questões que surgem a todo momento são: os alimentos ou suas embalagens são transmissores do vírus Sars-CoV-2? Os alimentos podem causar Covid-19? O setor de alimentação e a indústria de alimentos são responsáveis pela propagação do Sars-CoV-2? Quais as medidas preventivas que o consumidor pode adotar para proteger sua saúde?

Os meios de comunicação acessíveis ao grande público, principalmente as redes sociais, quando veiculam respostas a essas questões fazem-no sem fundamentação científica suficiente, por tratar-se de um tema novo, ainda pouco conhecido, e pela alimentação ser um tema que interessa a todos. Em recente artigo de um grupo internacional de cientistas, sobre relatos de rumores, discriminação e teorias de conspiração associados à pandemia de Covid-19, os alimentos aparecem com preocupante frequência (Islam et al., 2020). O programa “Saúde sem fake news”, do Ministério da Saúde, categoriza bebidas quentes e alimentos para prevenção ou tratamento da Covid-19 como ocorrências frequentes no seu banco de dados, e ressalta que muitas dessas notícias falsas são assinadas por profissionais da saúde (Matos, 2020). Recentemente, foram veiculadas notícias inconsistentes sobre a detecção de material genético do Sars-CoV-2 em alimentos crus de origem animal (salmão, carne de aves). Essas notícias geraram uma preocupação sobre a possível disseminação do vírus através dos alimentos ou de suas embalagens, ou a re-emergência de casos de Covid-19 através de alimentos importados. Tal preocupação foi fortalecida por relatos sobre a ocorrência de altos índices de trabalhadores portadores de Sars-CoV-2 em frigoríficos em alguns
países (Fisher et al., 2020).

O presente artigo discorre sobre todas essas questões, com base no que se conhece até agora, sempre com a chancela da ciência.

Alimentos podem transmitir o Sars-CoV-2?

Para responder essa questão e avaliar corretamente o papel dos alimentos como agentes transmissores do Sars-CoV-2, é preciso conhecer a ciência por trás da síndrome Covid-19, bem como as características estruturais e a fisiopatologia do vírus. A Covid-19 é uma síndrome respiratória altamente contagiosa, caracterizada por tosse seca, falta de ar, febre, dor de garganta, fadiga e perda do paladar e olfato (anosmia/hiposmia). Dores abdominais, tontura, diarreia, náuseas e vômitos também ocorrem, embora sejam menos frequentes. Casos graves resultam em pneumonia, síndrome respiratória aguda grave, insuficiência renal, falha múltipla de órgãos e morte. As manifestações clínicas da Covid-19 variam entre pessoas e também entre países (WHO, 2020). As evidências indicam que pessoas com mais idade e com condições metabólicas subjacentes, como diabetes mellitus, hipertensão e hiperlipidemia, apresentam risco maior de morbidade e mortalidade (Dalan et al., 2020). As novas descobertas sobre a patologia do Sars-CoV-2 estão indicando que outros órgãos também podem ser afetados, sendo uma doença que pode ir muito além dos pulmões (Dolhnikoff et al., 2020; Gupta et al., 2020).

Os coronavírus compreendem uma grande família de vírus respiratórios zoonóticos (CoV), subdivididos em 4 subfamílias (1, 2, 3 e 4) e causadores de doenças respiratórias, entéricas, hepáticas e neurológicas. As infecções humanas são causadas pelos 1 e 2-CoV, enquanto os 3-CoV infectam aves e os 4-CoV infectam mamíferos e aves (Naqvi et al., 2020). Análises filogenéticas do Sars–CoV-2 indicam que os mamíferos da ordem Chiroptera (morcegos) são o hospedeiro primário, com vários hospedeiros intermediários possíveis (Lai et al.,2020; Lu et al., 2020, Tang et al., 2020).

O Sars-CoV-2, assim com os demais coronavírus, é um vírus envelopado, esférico ou oval, com diâmetro entre 60 e 100 nm, com genoma constituído de RNA fita simples, de senso positivo. O vírus é revestido externamente por uma camada lipídica, o que explica a eficiência antiviral dos compostos tensoativos (sabão, detergente etc.). O Sars-CoV-2 tem quatro proteínas estruturais: S (spike), E (envelope), M (membrana) e N (nucleocapsídio). A proteína S, que constitui-se nas espículas (spikes), é responsável pela aparência de coroa dos coronavírus. O genoma do Sars-CoV-2 tem 82% de identidade com os genomas dos Sars-CoV e Mers-CoV (Middle East Respiratory Syndrome – coronavirus), causadores de epidemias anteriores, com 90% de identidade com genes responsáveis pelas enzimas e proteínas estruturais, o que sugere que apresentam o mesmo mecanismo de patogênese (Naqvi et al., 2020).

Como todos os vírus, os coronavírus também são parasitas intracelulares, não possuem metabolismo próprio, e só se replicam no interior de células hospedeiras. A entrada nas células hospedeiras depende da ligação com receptores específicos presentes na superfície dessas células. No caso do Sars-CoV-2, o principal receptor é a proteína ECA-2 (Enzima Conversora da Angiotensina 2), presente nas células epiteliais da cavidade nasal, faringe e alvéolos pulmonares, mas também em outros órgãos, como intestino, coração, rins, olhos, cérebro, fígado e testículos (Chen, 2020; Jin et al., 2020; Zhang et al., 2020). Além da ECA-2, outros receptores podem estar envolvidos (Gematti et al., 2020). Estudos de interações bioquímicas e análises cristalográficas comprovam que a proteína S é a responsável pela ligação do vírus aos receptores celulares. A proteína S é clivada por proteases celulares que agem em sítios específicos da proteína, resultando na formação da subunidade S1, responsável pelo reconhecimento do receptor, e da subunidade S2, que permanece ancorada na membrana celular da célula hospedeira e se encarrega da entrada do vírus na célula. Uma das proteases envolvidas nessa clivagem é a furina, abundante nos pulmões (Jin et al., 2020; Coutard et al., 2020). O sítio de ação da furina é encontrado na proteína S no Sars-CoV-2, mas não nos demais coronavírus, o que poderia explicar a maior infectividade e transmissibilidade (Xia et al., 2020). Após a entrada do vírus na célula hospedeira, segue-se um processo bioquímico coordenado, para a transcrição reversa, tradução e replicação do genoma viral, e montagem, maturação e liberação das novas partículas virais, dependente de um complexo sistema enzimático, tanto do vírus quanto da célula hospedeira, com envolvimento de algumas enzimas ausentes ou raramente encontradas em outros coronavírus (Mousavizadeh; Ghasemi, 2020).

Por ser um vírus respiratório, a via mais importante de transmissão do Sars-CoV-2 é o contato pessoa-a-pessoa, através de gotículas (diâmetro > 5 μm) e aerossóis (diâmetro < 5 μm) expelidos no ambiente pelo nariz e boca de indivíduos que têm o vírus nas vias aéreas, ao tossir, espirrar, falar e até respirar (Chen, 2020; Chu et al., 2020, Prather et al 2020; Zhang et al. 2020). É possível que a transmissão do vírus ocorra por outras secreções (sêmen, leite materno etc.), em decorrência da translocação sistêmica pelas mucosas do organismo. Embora o vírus Sars-CoV-2 ou resíduos virais (proteínas ou material genético) possam ser encontrados nas fezes de pessoas com Covid-19, não há ainda evidência documentada que o vírus seja capaz de resistir à passagem pelo trato gastrintestinal (TGI) humano. A via de transmissão fecal-oral ainda precisa ser mais bem estudada, além da presença nas fezes que poderia ser explicada pela translocação do vírus pelas mucosas até a chegada no TGI, e a adesão ao receptor ECA-2 presente em abundância nas células epiteliais gástricas, duodenais e intestinais (Xiao et al., 2020).

A carga viral relacionada com infectividade, características da doença, morbidade e mortalidade ainda não está determinada, mas um estudo com pacientes sintomáticos hospitalizados e confirmados como positivos para o Sars-CoV-2 por RT-PCR (Reverse Transcriptase Polymerase Chain Reaction) em material de nasofaringe estimou que a carga viral média, calculada com base em curvas padrão, foi 5,6 log cópias por mL, com mediana de 6,2 log cópias por mL (Pujadas et al., 2020).

A dependência do Sars-CoV-2 dos mecanismos bioquímicos complexos e específicos das células hospedeiras para sua replicação pode explicar a inexistência de qualquer associação entre alimentos e casos de Covid-19. Também nas epidemias causadas pelos coronavírus Sars-CoV e Mers-CoV, não houve nenhum registro de ocorrência de casos envolvendo alimentos (Olaimat et al., 2020). Nesse contexto, é preciso distinguir os conceitos “perigo” e “risco”. No tema em questão, o “perigo” é o agente causador da Covid-19, ou seja, o vírus Sars-CoV-2, enquanto o “risco” é a probabilidade de o alimento causar a enfermidade, combinada com a gravidade dos sintomas decorrentes. A presença do vírus, ou qualquer outro agente infeccioso, em um alimento não necessariamente significa que esse alimento vai causar uma enfermidade, e em caso positivo, que essa enfermidade será debilitante ou mesmo grave (1).

No caso do Sars-CoV-2 e da Covid-19, a relação causa-efeito depende de inúmeros fatores, muitos ainda desconhecidos ou que requerem mais investigação. Os poucos estudos que avaliaram qualitativamente o risco dos alimentos como vias de transmissão do Sars-CoV-2 relatam que a probabilidade de uma exposição infecciosa ao vírus através do consumo de alimentos de origem animal possivelmente infectados com o vírus é insignificante, e muito baixa quando é através do contato com alimentos contaminados por contaminação cruzada ou com materiais em contato com alimentos (embalagens, por exemplo) (Food Standards Agency, 2020; BfR, 2020).

Embalagens de alimentos podem ser focos de contaminação?

Apesar do rápido avanço dos conhecimentos em relação à contenção da pandemia provocada pelo Sars-CoV-2, uma pergunta que surge reiteradamente é: as embalagens de alimentos podem ser focos de contaminação por esse vírus? A preocupação com a persistência/estabilidade de coronavírus em diferentes superfícies existe desde as epidemias pelos vírus Sars-CoV e Mers-CoV (Wit et al., 2016). Diversos estudos avaliaram o tempo de persistência do Sars-CoV em diferentes tipos de superfícies, chegando aos seguintes resultados: aço inoxidável: 4h a 5 dias; alumínio: 8h; papel: 5 min a 5 dias; madeira: 4 dias; plástico: 8h a 9 dias. As diferenças observadas estão relacionadas não apenas ao tipo de material testado, mas também às linhagens de vírus utilizadas, nível de inóculo, temperatura de incubação e umidade relativa do ambiente, que influenciam na estabilidade do vírus. A persistência do Sars-CoV-2 em aço inoxidável é similar à de Sars-CoV, com resultados que podem variar de 3 a 7 dias. Em plástico, o resultado foi semelhante ao do aço inoxidável; e em papelão e cobre, partículas virais viáveis não foram detectadas após 24h e 4h, respectivamente (Biryukov et al., 2020; Kampf, 2020; van Doremalen et al., 2020). O Sars-CoV-2 mostrou-se mais estável em superfícies não porosas do que em superfícies porosas, quando testado a 21 ºC a 23 ºC e 65% de umidade relativa do ar. Em vidro, plástico e aço inoxidável, observou-se permanência do vírus por 2 a 4 dias, e por apenas 30 min a 2 dias em papel para impressão, papel toalha, madeira tratada, cédula bancária e tecido (Chin et al., 2020). Para outros coronavírus humanos (229E e OC43), foram encontrados tempos de persistência de apenas 1h em materiais de alumínio, luvas cirúrgicas e esponjas esterilizadas, utilizadas em hospitais, mas em outros materiais chegou até 3 horas (Sizun et al., 2000).

Deve ser ressaltado que, nos estudos citados, a quantidade elevada de partículas virais utilizadas na contaminação das superfícies e as condições ideais de laboratório em que a estabilidade viral foi testada não são representativas do cenário real, levando a uma avaliação exagerada do risco de transmissão do Sars-CoV-2 por contato com superfícies contaminadas (Goldman, 2020). Alguns países até consideram que a desinfecção de embalagens de alimentos é desnecessária, pelo risco muito baixo de transmissão do vírus por essa via (2). Apesar de os estudos indicarem a permanência do Sars-CoV-2 em superfícies inanimadas por algum tempo, não existe, até o momento evidência de contaminação por essa via. Ainda assim, as recomendações de higienização das mãos antes e após o contato com essas superfícies devem ser seguidas, como medidas de precaução.

Como controlar o Sars-Cov-2 na cadeia produtiva de alimentos?

Medidas preventivas simples relacionadas à higiene dos alimentos, do ambiente e das mãos devem ser implementadas por todos os atores da cadeia de produção alimentícia para manter o Sars-CoV-2 e outros micro-organismos patogênicos longe do ambiente de produção e da mesa do consumidor. É imperativo que seja feita a higienização frequente das mãos ao manipular os alimentos, desde a produção primária no campo até o momento do consumo, com a disponibilização dos meios necessários para que esta higienização seja feita corretamente (FAO/WHO, 2020; Olaimat et al., 2020; Rizou et al., 2020).

Nas indústrias alimentícias, os sistemas de gerenciamento da segurança de seus produtos, baseados nos princípios da Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle e nas Boas Práticas de Fabricação são eficazes no controle de micro-organismos patogênicos de origem alimentar, sendo razoável pensar que sejam igualmente eficazes para evitar a presença do Sars-CoV-2 nos alimentos, nas embalagens e no ambiente de trabalho (Olaimat et al., 2020). Essas medidas já eram exigências para as empresas do setor de alimentos muito antes do início da pandemia de Covid-19 (Brasil 2002; Brasil 2004). Com a pandemia, as equipes de segurança dos alimentos dessas empresas devem se atualizar constantemente em relação às formas de transmissão e controle do Sars-CoV-2.

No Brasil, uma portaria conjunta (Portaria Conjunta n.19) dos ministérios da Saúde (MS), Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) e Economia (ME), de junho de 2020, estabeleceu as medidas a serem observadas na indústria de abate e processamento de carnes e derivados, destinados ao consumo humano, e de laticínios visando a prevenção, controle e mitigação dos riscos de transmissão da Covid-19 nos ambientes de trabalho (Brasil, 2020d). São incluídas orientações sobre as medidas de prevenção nos ambientes de trabalho, áreas comuns (refeitórios, banheiros, vestiários, áreas de descanso) e meios de transporte de trabalhadores, quando fornecido pela empresa, e instruções sobre higiene das mãos e etiqueta respiratória. Quanto aos trabalhadores, a portaria estabelece ações para identificação precoce e afastamento daqueles que apresentarem sinais e sintomas compatíveis com a Covid-19, bem como os procedimentos para que os trabalhadores possam reportar esses sinais à empresa, incluindo pessoas em contato com esses funcionários. Há especificações para os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e outros equipamentos de proteção e instruções de procedimentos para os trabalhadores pertencentes aos grupos de risco. Essas medidas visam a proteção da saúde dos trabalhadores, para que a Covid-19 não seja um risco ocupacional (3).

Em relação aos alimentos de origem vegetal, a serem consumidos crus, a higienização correta, realizada tanto por produtores quanto consumidores, é suficiente para reduzir o risco de contaminação a níveis muito baixos. A higienização inclui a retirada e descarte das partes avariadas, lavagem com água tratada para retirar o material orgânico da superfície, desinfecção com agentes sanitizantes (solução de hipoclorito de sódio, por exemplo) quando aplicável e novo enxágue em água tratada corrente (Brasil, 2004). Essas práticas, eficazes para reduzir ou eliminar micro-organismos patogênicos e deterioradores, apresentam eficácia contra o Sars-CoV-2 também. Inúmeros estudos já avaliaram o efeito de sanitizantes para eliminação do coronavírus das mãos e superfícies, evidenciado que o Sars-CoV-2 é, de modo geral, sensível à maioria, desde que utilizados nas concentrações recomendadas. Etanol 70%, hipoclorito, amônio-quaternários, vapor de peróxido de hidrogênio, dióxido de cloro, ozônio e UV são alguns exemplos (Kampf et al., 2020; Kratzel et al., 2020). Também agentes biocidas, como clorhexidina, cloreto de benzalcônio e cloroxilenol, que fazem parte da formulação de muitos produtos de higiene pessoal e de limpeza de utensílios e ambiente, mostraram-se efetivos contra o Sars-CoV-2 após tratamento por 5 min a 22 oC, mesmo quando testados contra cargas virais elevadas (7,9 log/mL) (Chin et al., 2020).

O tratamento térmico dos alimentos, mesmo que brando, é suficiente para eliminar os vírus, inclusive o Sars-CoV-2, porque o calor coagula as proteínas que compõem as partículas virais, destruindo-as. Temperaturas acima de 65 oC por 3 min causam redução de 5 a 7 log no número de partículas virais. Devido à seriedade da pandemia e por uma questão de segurança, recomenda-se um acréscimo de 10 °C nas temperaturas mencionadas (Abraham et al., 2020). A pasteurização empregada para alimentos visando a eliminação de bactérias patogênicas é efetiva contra o vírus Sars-CoV-2 também. Quanto à radiação UV-C, aplicada para o ambiente industrial, mostrou-se eficiente em condições experimentais, ressaltando-se que a transmissão do vírus por aerossóis no ambiente ainda não está comprovada (Zuber; Brüssow, 2020).

Outra questão recorrente é a capacidade de o Sars-CoV-2 suportar temperaturas de refrigeração e congelamento, utilizadas para conservação dos alimentos. Em um recente estudo laboratorial para avaliar a possibilidade de alimentos refrigerados e congelados importados reintroduzirem o vírus em algum país com a Covid-19 aparentemente erradicada, os autores fizeram a contaminação experimental de cubos de carne de frango, de salmão e de suínos por imersão numa suspensão viral contendo uma elevada contagem de partículas virais, e observaram que a carga viral não se alterou após 21 dias a 4 oC e a -20 oC (Fisher et al., 2020). Esse estudo, mesmo que conduzido em condições laboratoriais ideais, comprova o que já se sabia, ou seja, que os vírus não são afetados pela manutenção em baixas temperaturas. No entanto, mesmo que os vírus não sejam afetados pela baixa temperatura, o aumento da carga viral em alimentos refrigerados ou congelados não é possível, dada a inexistência das células hospedeiras necessárias para a replicação do genoma do vírus.

Em estabelecimentos comerciais que servem alimentos para consumo, as recomendações para a adoção das práticas usuais de higiene e de manipulação, com disponibilização de pias para lavagem das mãos, distanciamento adequado entre os usuários e colaboradores e uso de máscaras, quando seguidas, são suficientes para evitar a disseminação do vírus. O distanciamento das mesas, redução no número de comensais, desinfecção frequente das superfícies de mesas e bancadas e ventilação adequada para evitar a concentração do vírus no ambiente são medidas preventivas adicionais eficientes (Olaimat et al., 2020).

Para o comércio de varejo e serviços de entrega de alimentos, devem ser adotadas as boas práticas de higiene e as medidas preventivas adicionais recomendadas para a contenção do Sars-CoV-2, ou seja, distanciamento social e uso de máscaras faciais (Olaimat et al., 2020; Brasil, 2020a; Brasil, 2020b; BfR, 2020; Shahbaz et al., 2020).

Os cuidados para proteger a saúde dos trabalhadores, aliados à implementação correta das Boas Práticas de Fabricação e dos sistemas de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle no setor alimentício são atividades complementares e reforçam o entendimento que a probabilidade de ocorrência de uma exposição infecciosa ao vírus através do consumo de alimentos é insignificante. Nesse contexto, e pela falta de evidências de associação de alimentos ou embalagens de alimentos com a transmissão do Sars-CoV-2, experts da área não recomendam submeter alimentos e amostras ambientais à pesquisa do vírus como forma de garantir sua segurança. Além disso, os resultados analíticos apresentam incertezas e inconsistências, pois são baseados apenas na detecção de RNA viral e não do vírus per se, e são incapazes de indicar a capacidade contagiosa. Os planos de amostragem e as ações corretivas subsequentes não são a melhor forma de usar os recursos disponíveis nas indústrias de alimentos (4).

Quais as medidas preventivas em relação a manipulação dos alimentos e embalagens pelos consumidores?

O confinamento, o aumento do uso de serviços de entrega de comida pronta e de compras, além da aquisição dos gêneros alimentícios fora de casa geraram preocupações aos consumidores com relação à transmissão do Sars-CoV-2 por alimentos e embalagens, embora não haja nenhuma evidência científica que confirme a transmissão por essas vias. Essas preocupações se acentuam pelo fato de ainda não existirem medicamentos eficazes para combater o agente ou a doença ou vacinas para prevenir novas infecções.

Assim como podem atingir qualquer superfície, as gotículas ou aerossóis contendo partículas virais expelidas pelos portadores do Sars-CoV-2 podem chegar até os alimentos ou suas embalagens. Mesmo que um dado alimento seja contaminado pelo vírus, a possibilidade de a carga viral aumentar nesse ambiente até atingir a quantidade necessária para causar doença é insignificante, uma vez que o alimento não disponibiliza para o vírus os elementos necessários para replicação de seu material genético. Dessa forma, o consumidor deve lembrar-se de que é improvável que um alimento contendo o vírus em sua superfície venha causar infecção através de sua ingestão, desde que mantidas as medidas preventivas necessárias para que as partículas virais não sejam transferidas para as mãos de quem manipula alimentos e, em seguida, para as suas mucosas dos olhos, nariz ou boca.

As medidas preventivas mais importantes são a) higienização constante das mãos, utensílios e locais de trabalho; b) manutenção das mãos longe da face durante o manuseio de alimentos, ou uso de máscaras faciais, quando aplicável; c) higienização dos alimentos a serem consumidos crus (frutas, hortaliças etc.); d) aquecimento dos alimentos a 70 oC, pelo menos (Guarpure et al., 2020; FAO/WHO 2020; Olaimat et al., 2020; Rizou et al., 2020).

Embora amplamente divulgadas, as medidas preventivas nem sempre são seguidas. Um estudo realizado pelo Centro de Pesquisa em Alimentos da Universidade de São Paulo no mês de julho de 2020, para avaliar a adesão da população às medidas recomendadas de prevenção e controle da Covid-19 em relação aos alimentos e à proteção individual, mostrou que parte da população brasileira ainda adota práticas de higiene inadequadas. Mais de três mil brasileiros, a maioria de alto nível de escolaridade, responderam o questionário, e vários relataram utilizar sanitizantes para frutas e hortaliças que não têm efeito comprovado, e não higienizar as mãos antes e depois da entrega de alimentos e refeições prontas e nem manter distância do entregador (5).

Conclusões
Além dos efeitos na saúde da população, a pandemia de Covid-19 tem sérias implicações econômicas. O suposto envolvimento dos alimentos, ou de suas embalagens, na possível transmissão do Sars-CoV-2 traz uma preocupação adicional, prejudicando as transações comerciais, em âmbito mundial, com barreiras técnicas e sanitárias não justificadas. Devido ao entendimento equivocado que alimentos podem ser inseguros, alguns países estão restringindo as importações de alimentos, e testando produtos para verificar se estão isentos do vírus ou exigindo atestados dos produtores de que seus produtos são livres do Sars-CoV-2. À luz dos conhecimentos atuais, esses controles não se justificam, visto que não há qualquer evidência documentada de que os alimentos sejam causadores da Covid-19 ou que sejam veículos de transmissão do Sars-CoV-2.

A adoção das boas práticas de fabricação pelos produtores de alimentos, e das medidas preventivas de higiene e de proteção pessoal pelos consumidores, asseguram o risco insignificante dos alimentos causarem Covid-19. Para proteção de sua saúde, os indivíduos devem seguir as recomendações nacionais e internacionais
de proteção individual.
Agradecimentos – Os autores agradecem à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, processo n.2013/07914-8, pelo apoio às atividades do Food Research Center (FoRC/USP).

Notas
1 Disponível em: <www.icmsf.org/wp-content/uploads/2020/09/ICMSF2020-Letterhead-COVID-19-opinion-final-03-Sept-2020.BF….
2 Disponível em: <https://www.mpi.govt.nz/dmsdocument/41614-new-zealand-food-safety-scientific-opinion-on-covid-19-tra….
3 Disponível em: <www.icmsf.org/wp-content/uploads/2020/09/ICMSF2020-Letterhead-
COVID-19-opinion-final-03-Sept-2020.BF_.pdf>.
4 Disponível em: <www.icmsf.org/wp-content/uploads/2020/09/ICMSF2020-Letterhead-COVID-19-opinion-final-03-Sept-2020.BF….
5 Disponível em: <http://alimentossemmitos.com.br/covid-19-parte-da-populacao-adota-medidas-de-higiene-inadequadas-com….
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RESUMO:
O combate à Covid-19 impulsionou enormes avanços na pesquisa científica, mas também a veiculação de informações de baixa qualidade, com pouca ou nenhuma fundamentação científica. Infelizmente, os alimentos aparecem de forma recorrente nos meios de comunicação acessíveis ao grande público como possíveis disseminadores da doença, trazendo inquietudes para a população, órgãos reguladores e cadeia produtiva de alimentos. Neste artigo, preparado com base na literatura científica disponível, são respondidas as seguintes questões: Os alimentos ou suas embalagens são transmissores do vírus Sars-CoV-2? Os alimentos podem causar Covid-19? O setor de alimentação e a indústria de alimentos são responsáveis pela propagação do Sars-CoV-2? Quais as medidas preventivas que os consumidores podem adotar para proteger sua saúde?
PALAVRAS-CHAVE:
Coronavírus, Pandemia, Alimentos, Contaminação, Transmissão.

AUTORES:
Bernadette Dora Gombossy de Melo Franco é professora titular da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo e diretora do Food Research Center (FoRC) da USP. @ – bfranco@usp.br / https://orcid.org/0000-0002-9312-2888.

Mariza Landgraf é professora associada da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo e pesquisadora associada do Food Research Center (FoRC) da USP. @ – landgraf@usp.br / https://orcid.org/0000-0002-9260-8579.

Uelinton Manoel Pinto é professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo e pesquisador associado do Food Research Center (FoRC) da USP. @ – uelintonpinto@usp.br / https://orcid.org/0000-0002-5335-2400.

 

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Cientistas da USP são pioneiros na edição do DNA de tumor agressivo de tireoide

Procedimento in vitro foi capaz de diminuir a agressividade das células cancerígenas consideravelmente, sendo cotado pelos cientistas como um possível tratamento neoadjuvante para este e outros tipos de cânceres agressivos.

 

O câncer de tireoide é um dos tumores mais comuns que afetam a região do pescoço e cabeça. Na maioria dos casos, o tratamento costuma ser simples e ter alta taxa de cura com a radioiodoterapia. No entanto, as variantes agressivas desse câncer são mais difíceis de tratar e nem sempre respondem bem ao tratamento.  Isso ocorre, em parte, porque um microRNA, o miR-17-92, tem sua expressão aumentada não só nesse tipo de carcinoma, como em outros cânceres agressivos, a exemplo do pulmão.

“Essa foi uma descoberta do meu pós-doutorado. Agora, avançamos com o objetivo de inibir a expressão do miR-17-92”, afirma César Seigi Fuziwara, pesquisador do Laboratório de Biologia Molecular da Tiroide do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), coordenado pela professora Edna Kimura. “Conseguimos fazer a edição gênica desse microRNA usando o método CRISPR”, acrescenta. “O método CRISPR usa uma proteína chamada Cas9 para ‘cortar’ o DNA. Quando a célula tenta reparar o pedaço ‘cortado’, ela muda a sequência de nucleotídeos, o que resulta em um gene alterado e, consequentemente, também um quadro alterado de leitura”, explica Fuziwara. Os cientistas editaram com sucesso células do carcinoma anaplásico de tireoide, o tipo mais letal de câncer de tireoide, e as analisaram em experimentos in vitro.

A edição do miR-17-92 foi um grande desafio, pois este microRNA é um cluster – conjunto de genes não-codificantes (que não se transformam em proteína) – composto por seis microRNAs diferentes. “Fomos um dos pioneiros em usar o CRISPR para esse tipo de RNA na tiroide”, conta César.

Os resultados mostram que as células proliferavam e migravam menos, além de ficarem com uma capacidade invasiva menor. “A proliferação diminuiu 50%, assim como a capacidade clonogênica, tornando-as menos agressivas”, afirma o pesquisador.

No estudo, também foi avaliada a diferenciação das células, ou seja, a capacidade de expressar genes relacionados ao metabolismo do iodo. “Isso é muito importante porque o principal tratamento para o câncer de tireoide após a cirurgia é o iodo radioativo”, explica o pesquisador. “Ao observarmos a presença de fatores de transcrição da tiroide, e genes como TPO e em menor grau o gene NIS, principal responsável pela captação do iodo, constatamos que a diferenciação aumentou um pouco, mas não o suficiente para que a capacidade de absorção de iodo fosse regenerada”, acrescenta.

A equipe acredita que a edição gênica pode ser usada como neoadjuvante no tratamento já utilizado para cânceres agressivos: a terapia com inibidores farmacológicos. Além disso, eles continuam a investigação sobre a mutação no gene BRAF, comum em 40% dos carcinomas de tiroide, e seus efeitos sobre a expressão de miR-17-92, segundo mostrou uma pesquisa anterior da mesma equipe.

De acordo com Fuziwara, o próximo passo é usar esses inibidores para ver se combinados com a edição do microRNA teriam um efeito antitumoral maior. A pesquisa será feita inicialmente in vitro, mas os pesquisadores do Laboratório de Biologia Molecular da Tiroide planejam aplicar o mesmo procedimento em camundongos. “Queremos ver se quando modulamos o microRNA, o tumor vai crescer menos e quais serão suas características histopatológicas”, diz ele, lembrando que, embora haja um longo caminho para um possível uso terapêutico da descoberta, o procedimento pioneiro e os resultados positivos trazem esperança para outros cânceres agressivos com expressão aumentada do miR-17-92.

O estudo foi publicado na revista Thyroid, um importante periódico da área.

 

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Pesquisador do ICB-USP fará um dos maiores estudos epigenéticos sobre Déficit de Atenção e Hiperatividade de adultos

Vencedor do BBRF Young Investigator Grant, o cientista irá analisar, inicialmente, 180 amostras de DNA de pacientes adultos com TDAH e 180 de indivíduos controles e segue procurando investimentos para estudar cerca de 600 amostras adicionais já coletadas. O objetivo é encontrar marcadores biológicos que expliquem o curso clínico do transtorno.

 

O Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) não só ganhou uma nova linha de pesquisa, como também esta foi selecionada para receber 70 mil dólares de financiamento pelo Edital Young Investigator Grant da Brain and Behavioral Research Foundation (BBRF). Comandado pelo professor recém admitido Diego Luiz Rovaris, do Departamento de Fisiologia e Biofísica, o Laboratório de Genômica Fisiológica da Saúde Mental irá trabalhar com o epigenoma de adultos com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Com isso, espera-se compreender melhor os fatores biológicos envolvidos no transtorno, identificando marcadores implicados em seu curso clínico.

Amostras de DNA de pacientes adultos com TDAH foram coletadas por meio do Programa de Transtornos de Déficit de Atenção de Hiperatividade (PRODAH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), instituição onde Rovaris concluiu sua pós-graduação e pós-doutorado. Os pacientes passaram por uma extensa caracterização clínica e biológica, incluindo análises de neuroimagem, varredura genômica e avaliação neuropsicológica. Agora, os pesquisadores buscam completar essas informações com análises epigenéticas.

“Existem dois tipos de variação no DNA. A genética, que é herdada e se mantém ao longo da vida do indivíduo, e a epigenética, que são marcadores depositados no DNA – por exemplo, a partir da exposição a fatores ambientais. O foco do nosso estudo é a metilação – adição de grupamentos metil em determinados pontos do DNA”, explica o pesquisador. A hipermetilação pode reprimir a atividade de determinados genes, enquanto um DNA hipometilado pode gerar instabilidade genômica e causar problemas no nível celular.

Segundo o pesquisador, o TDAH possui um alto componente genético – cerca de 80% dos casos são atribuídos a fatores genéticos. No entanto, fatores ambientais associados ao transtorno, como o uso de nicotina durante a gestação, podem ter implicações no desenvolvimento cerebral via modulação epigenética. “A epigenômica pode ser a ligação entre o ambiente e o nosso genoma, mas alguns estudos mostram que ela pode também fazer parte de um fenômeno que chamamos de herdabilidade perdida. Ou seja, aspectos genéticos que ainda não descobrimos e que podem estar envolvidos com o transtorno”.

Entre 2021 e 2023, com o financiamento da BBRF, a equipe poderá analisar 180 amostras de pacientes com TDAH e 180 controles, usando um biochip que avalia mais de 880 mil sítios de metilação espalhados pelo genoma. A partir de uma leitura de fluorescência, é possível saber se em determinado sítio há a hipo ou hipermetilação. Feitas as análises das amostras, os dados serão processados e passarão por análises de bioinformática e bioestatística. “Esperamos encontrar alguns sítios diferencialmente metilados que nos permitam identificar potenciais mecanismos biológicos envolvidos com TDAH. Isso abriria novas possibilidades de pesquisa, como estudos em modelos animais ou cultura celular para validar esses mecanismos”.

Embora o projeto use dados de 180 pacientes, menos da metade da amostra original, Rovaris destaca que o último estudo publicado com varredura do epigenoma de adultos com TDAH contou com apenas 100 amostras de pacientes. “O que chama atenção é que temos uma amostra ampla, com 600 pacientes, e muito bem caracterizada. Estamos buscando financiamento para conseguir analisar a amostra completa, já que esse tipo de estudo exige equipamentos com alto custo de manutenção”, acrescenta. Outro diferencial é que o DNA de cada paciente foi colhido três vezes ao longo de 13 anos de seguimento, tornando possível examinar também a permanência ou não das marcas encontradas.

Além da colaboração do grupo PRODAH da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, um dos mais importantes no cenário internacional que estuda TDAH, Rovaris firmou uma parceria com o Hospital das Clínicas da USP para realizar coletas de amostras de pacientes em São Paulo, que estão previstas para o início de 2021. O cientista destaca a importância da multidisciplinaridade de sua equipe e colaboradores, que conta com biomédicos, farmacêuticos, biólogos, psiquiatras, psicólogos, neurologistas e cientistas da computação.

 

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Máscara cirúrgica antiviral desenvolvida em parceria USP-empresa permite uso prolongado por 12 horas

Produto é recoberto por uma substância que torna reativo o oxigênio ao entrar em contato com o tecido, eliminando o coronavírus. A inovação é fruto de uma parceria entre a empresa Golden Technology, o Instituto de Química e o Instituto de Ciências Biomédicas da USP.

 

Um material desenvolvido pela empresa Golden Technology em parceria com o Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP) e o Instituto de Ciências Biomédicas (ICB-USP) se mostrou capaz de inativar o coronavírus de forma prolongada em máscaras cirúrgicas. Resultado de um investimento de 2 milhões de reais, o produto foi testado no Laboratório de Virologia Clínica e Molecular do ICB-USP, coordenado pelo pesquisador Edison Luiz Durigon, onde foi aprovado com 99,9% de eficácia na eliminação do vírus. Batizada de Phitta Mask, a nova máscara está em processo de aprovação na Anvisa e já está disponível no mercado. Pode ser comprada em farmácias ou nesta loja online, ao custo de R$ 1,70 cada unidade.

Um dos diferenciais da nova máscara é que pode ser usada por mais tempo do que as máscaras cirúrgicas comuns. O efeito antiviral e a eficiência de filtração bacteriana (BFE) permanecem por 12 horas, enquanto a máscara cirúrgica comum precisa ser trocada a cada duas horas e descartada. É possível, por exemplo, usar a máscara antiviral durante três horas em um dia e continuar usando nos dias seguintes até completar 12 horas de uso.

Outra vantagem é a ausência de toxicidade, uma vez que uma quantidade muito pequena da substância já é suficiente para inativar o SARS-CoV-2. “Já testamos no laboratório vários antivirais que funcionaram contra o vírus, mas nenhum em uma concentração tão baixa quanto esse”, ressalta o professor Durigon. Além disso, a substância não é liberada no meio ambiente, seja durante seu uso ou no descarte. “O material pode ser processado em qualquer sistema de incineração convencional sem deixar resíduos tóxicos”, destaca o professor Koiti Araki do Laboratório de Química Supramolecular e Nanotecnologia do IQ.

Mecanismo de ação – Segundo Araki, o material – cujo nome é mantido em segredo por causa do pedido de patente – interage com o oxigênio do ar tornando-o mais reativo. “O oxigênio, quando entra em contato com o tecido, se torna tão ativo quanto uma água oxigenada. Quando o vírus entra em contato com o material, ele é inativado. O diferencial é a produção contínua de pequenas quantidades em equilíbrio de um oxidante, usando uma substância que já existe naturalmente, e a segurança de um produto que não apresenta toxicidade relevante e é isento de metal”, destaca.

A substância vinha sendo estudada há cinco anos pela empresa em parceria com o IQ. “Esse ativo é difícil de produzir e os rendimentos eram muito baixos. No laboratório, conseguimos desenvolver um processo que diminuiu em mais de 90% a quantidade de resíduos e reagentes, e o tempo de produção”, conta Araki.

Testes de eficiência – No início da pandemia, o produto foi testado em diferentes tecidos no Laboratório de Virologia Clínica e Molecular do ICB-USP para verificar o seu potencial antiviral. O primeiro passo foi testar a citotoxicidade da substância. “Muitos produtos matam o vírus, mas também matam as células. Se o produto fosse tóxico, não conseguiríamos testar a sua eficácia em cultura de células. Também foi necessário verificar se o próprio tecido não era tóxico para as células”, explica Durigon.

As máscaras também foram testadas em pacientes diagnosticados com COVID-19 no Hospital das Clínicas, que usaram a máscara comum por duas horas e depois a máscara com o ativo por duas horas. Os indivíduos fizeram testes PCR antes e depois do uso das máscaras. “Isso é importante para saber se o produto realmente inativou o vírus ou se a máscara estava sem vírus porque os pacientes não estavam mais doentes e não eliminavam vírus”, afirma o pesquisador. O efeito antiviral de 99,9% foi observado em máscaras cirúrgicas, mas o mesmo não aconteceu com as máscaras N95 devido à baixa adesão do material às mesmas.

Outras aplicações – O ativo pode ser aproveitado para uma série de produtos além das máscaras. A tecnologia está sendo testada em filtros de ar HEPA, presentes em hospitais, e em produtos para higiene bucal, como enxaguante e creme dental. O enxaguante, que está em fase final de testes, apresentou resultados promissores na eliminação do coronavírus. A empresa também estuda aplicar o produto em enxovais hospitalares, revestimentos de assentos de aeronaves e material escolar, por exemplo.

Para usar o ativo em máscaras de tecido reutilizáveis, os pesquisadores analisam a possibilidade de utilizar um refil descartável dentro da máscara. “A aplicação direta no tecido não seria possível porque a atividade do material poderia ser alterada durante a lavagem, afetando sua eficácia na eliminação do vírus”, afirma Araki.

Segundo Lourival Flor, diretor da Golden Technology, a empresa já está com propostas para exportar a máscara para o Peru, Colômbia, Honduras e Guatemala, e está trabalhando para registrar o produto na Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos.

 

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Em estágios iniciais da COVID-19, febre pode ser grande aliada contra a doença, afirma pesquisador

Professor do Instituto de Ciências Biomédicas da USP publica artigo sobre os possíveis benefícios da febre para pacientes em estágio inicial de infecção pelo coronavírus. Além de ser importante no combate a infecções, a febre auxilia no desenvolvimento de memória imunológica.

 

Em artigo publicado no Journal of the Royal Society of Medicine, o professor Alexandre Steiner, do Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), propõe que os médicos repensem a administração de antitérmicos nos estágios iniciais da COVID-19. De acordo com o pesquisador, a febre tem um importante papel não só no combate de infecções como no desenvolvimento da memória imunológica, que é criada após o primeiro contato com um agente infeccioso.

O conhecimento sobre os benefícios da febre não é novo. “Muitas pesquisas indicam que o aumento da temperatura ajuda o sistema imune a combater patógenos. Diversas funções imunológicas se tornam mais eficazes e a atividade antiviral é uma delas”, diz Steiner. O cientista cita como exemplo um dos primeiros estudos feitos sobre o tema, na década de 70, no qual pesquisadores infectaram dois grupos de lagartos com uma bactéria e os dividiram em dois ambientes com temperaturas diferentes. No ambiente mais quente, mais animais sobreviveram.

Alguns estudos com pacientes também mostram que o uso de antitérmicos no início de uma infecção pode ajudar a prolongá-la e aumentar o risco de complicações. “Dois ensaios clínicos randomizados, duplo-cegos e controlados por placebo em voluntários infectados com rinovírus, mostraram que o uso de aspirina, paracetamol ou ibuprofeno está associado ao aumento ou prolongamento da eliminação viral. Em um desses ensaios, aspirina e paracetamol demonstraram suprimir a resposta de anticorpos neutralizantes e, paradoxalmente, piorar os sintomas nasais”, afirma o professor no artigo.

A memória imunológica ou imunidade adquirida é outro processo que pode ser influenciado positivamente pela febre. Para criar essa memória, as células dendríticas do sistema imune apresentam os antígenos, o que está atacando o organismo, aos linfócitos, células que “guardam” a resposta imune. Segundo Steiner, com a temperatura mais alta, essa apresentação acontece de forma muito mais eficaz. Assim, o uso indiscriminado de antitérmicos no início da infecção poderia afetar o desenvolvimento de uma imunidade de rebanho contra o SARS-CoV-2.  “A imunidade de rebanho depende do desenvolvimento de imunidade adquirida específica contra o vírus. Então, não se trata apenas de uma questão de tratamento individual, mas de saúde pública”.

O pesquisador ressalta que embora a febre tenha um custo metabólico os seus benefícios excedem os custos na fase inicial de uma infecção pois o organismo ainda não está debilitado pelo combate ao patógeno. “Com base em todas essas evidências, a proposta é não interferir na febre nos primeiros dias de infecção e dar uma chance maior para o organismo combater a doença por conta própria, reduzindo assim as chances de desenvolver um quadro grave”, acrescenta.

 

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Medicamento reduz migração e metástase de células cancerígenas em animais

O fármaco, que já é aprovado e usado para outra doença, inibe um receptor importante para o crescimento de tumores. Pesquisadores da USP pretendem testá-lo em pacientes em parceria com o Hospital das Clínicas.

 

O medicamento ambrisentan, utilizado no tratamento da hipertensão arterial pulmonar, foi testado pelo pesquisador do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) e se mostrou capaz de inibir a migração e reduzir a metástase de células tumorais em experimentos in vitro e em animais. O estudo foi coordenado pelo pesquisador Otávio Cabral Marques, do Departamento de Imunologia do ICB-USP, e publicado na revista Scientific Reports. A equipe foi pioneira ao testar esse medicamento contra o câncer.

O fármaco escolhido para a pesquisa é um antagonista seletivo do receptor de endotelina tipo A, ou seja, tem a função de inibir esse receptor, que é expresso no endotélio (camada que reveste a parede interna dos vasos sanguíneos), células tumorais e em células do sistema imune. Outros estudos já comprovaram que o receptor de endotelina tipo A está envolvido no crescimento tumoral e na metástase de vários tumores. Assim, esse alvo serviria para diferentes tipos de câncer.

A equipe começou com testes in vitro para verificar a migração das células, usando diferentes linhagens tumorais, como leucemia, câncer de ovário e de pâncreas. As células foram tratadas com a droga e algumas receberam um estímulo; em seguida, os pesquisadores quantificaram as células que migraram. O medicamento impediu tanto a migração induzida quanto a espontânea.

O próximo passo foi testar o fármaco em camundongos no estágio inicial de câncer de mama. Os animais receberam o tratamento durante duas semanas antes da implantação do tumor até duas semanas depois e apresentaram uma redução de 43% da metástase. “Uma vez que esse modelo de tumor é implantado nos camundongos, a metástase ocorre muito rapidamente. Por isso o tratamento precisou começar antes”, esclarece Marques.

A hipótese dos pesquisadores é que, em futuros testes clínicos, se a droga for administrada no início da doença, antes do desenvolvimento da metástase, será possível impedir ou reduzir o crescimento do tumor, melhorando o prognóstico. “Nosso objetivo é verificar se o medicamento pode ser aliado ao tratamento tradicional e reduzir a necessidade de quimioterapia. A vantagem é que o fármaco é aprovado pela FDA [Food and Drug Administration] dos Estados Unidos e pela Anvisa e já passou por testes de segurança. Além disso, é uma droga oral, não invasiva”.

O grupo também pretende investigar se seria possível modificar o método de entrega do fármaco e administrá-lo diretamente no tumor para obter um resultado mais eficiente. O coordenador do estudo está em contato com o Hospital das Clínicas para testar o ambrisentan em pacientes e a expectativa é que essa etapa tenha início no próximo ano.

 

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