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Reversina: a nova esperança para tratar leucemia em adultos e idosos

Especialistas do ICB-USP realizaram testes in vitro com modelos de células humanas e observaram que o fármaco foi capaz de reduzir o crescimento do tumor, ao inibir proteínas específicas responsáveis por sua proliferação.

 

A reversina é uma molécula, ainda sem utilidade clínica, que tem sido estudada por vários grupos de pesquisa para tratar diferentes tipos de câncer. Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) testaram a molécula em modelos in vitro de um tipo específico de leucemia, a neoplasia mieloproliferativa, que acomete indivíduos entre 50 e 70 anos. O grupo descobriu que o tratamento com a reversina é capaz de frear o crescimento da célula tumoral e levá-la à morte.

O estudo foi conduzido pelo grupo de pesquisa do professor João Agostinho Machado-Neto, em colaboração com a Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, e foi recentemente publicado na revista Scientific Reports. Inicialmente, segundo ele, buscou-se identificar marcadores que contribuíssem para a progressão da doença e, ao analisar 84 alvos, dois chamaram a atenção: as proteínas Aurora-quinase A (AURKA) e Aurora-quinase B (AURKB), bem conhecidas por auxiliar na proliferação das células tumorais. Ao tratá-las com um medicamento convencional contra leucemia (ruxolitinibe), os pesquisadores observaram que o tratamento reduz a expressão dessas proteínas.

“A próxima pergunta foi: qual de fato é a contribuição das Aurora-quinases para o crescimento do tumor?”, diz Machado-Neto. Ele explica que o fármaco disponível no mercado inibe a proteína JAK2, cuja mutação ativa as Aurora-quinases e contribui nesse tipo de leucemia. O grupo, então, optou por inibir diretamente as Aurora quinases utilizando a reversina. “As células responderam muito bem à reversina. Dependendo da dose, foi possível reduzir o tumor in vitro de forma significativa e levar as células tumorais à apoptose [morte]”. Isso ocorre porque a inibição das proteínas impede que as células se proliferem, entrando na chamada “catástrofe mitótica”.

Novas terapias – A leucemia é um câncer de difícil tratamento e com alta taxa de mortalidade. Embora tenha um bom prognóstico em crianças, é mais grave em indivíduos adultos: cerca de 60% a 80% dos pacientes morrem em 5 anos. Outro agravante, segundo o pesquisador, é que a única opção de cura para a maioria dos casos é o transplante de medula óssea, que funciona em metade dos pacientes. Pacientes com mais de 60 anos são raramente elegíveis para esse procedimento, o que dificulta o seu tratamento.

A melhor terapia disponível atualmente para a neoplasia mieloproliferativa é o ruxolitinibe – no entanto, cerca de metade dos pacientes apresenta resposta insatisfatória a esse fármaco. “A reversina talvez seja uma opção para os pacientes que não respondem ao tratamento convencional. No entanto, ainda é necessário testá-la em animais para verificar a sua toxicidade e garantir que ela seja segura para testes clínicos – processo que costuma demorar alguns anos. Pretendemos iniciar os testes em animais no próximo ano”, destaca Machado-Neto.

Outros inibidores de proteínas quinases, que já estão em testes clínicos, inibem somente a AURKA ou a AURKB – o diferencial da reversina é a capacidade de inibir ambas.

Respostas diferentes – Os pesquisadores utilizaram dois modelos de células para testar a reversina: um deles respondeu muito bem e, o outro, respondeu menos. Para este caso, foi necessária uma dose maior de reversina para obter os mesmos resultados do primeiro e conseguir inibir as proteínas quinases. Diante disso, em parceria com o Hospital Albert Einstein, o grupo também fez uma análise molecular utilizando um grande painel de genes relacionados a morte celular e identificou seis genes que podem influenciar na resposta à reversina. “A partir desses dados, queremos testar futuramente se a resposta ao fármaco pode mudar caso o paciente ou animal tenha a expressão aumentada desses genes”.

 

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Por Acadêmica
Nova molécula pode ser uma alternativa mais eficaz no tratamento da leucemia em adultos e idosos

Por Larissa Albuquerque

Conduzido por pesquisadores do ICB-USP e da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, o estudo foi publicado recentemente no Scientific Reports.

Reversina é o nome de uma molécula, ainda sem utilidade clínica, que pode ser uma opção mais eficaz para tratar tumores como a neoplasia mieloproliferativa, um tipo de leucemia que é mais comum em pessoas entre 50 e 70 anos. Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) testaram a molécula em modelos in vitro e descobriram que o tratamento com essa molécula é capaz de frear o crescimento da célula tumoral e levá-la à morte.

A pesquisa, feitam colaboração com a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, foi publicada no jornal científico Scientific Reports do grupo Nature Research, em julho desse ano. De um total de 84 marcadores tumorais, chamaram a atenção dos pesquisadores duas proteínas: Aurora-quinase A (AURKA) e Aurora-quinase B (AURKB), bem conhecidas por auxiliar na proliferação das células tumorais. Em vez de inibir a proteína JAK2, cuja mutação ativa essas duas proteínas, eles resolveram inibir diretamente as Aurora quinases utilizando a reversina.

“As células responderam muito bem à reversina. Dependendo da dose, foi possível reduzir o tumor in vitro de forma significativa e levar as células tumorais à apoptose [morte]”. Isso ocorre porque a inibição das proteínas impede que as células se proliferem, entrando na chamada “catástrofe mitótica”, explica o coordenador do estudo, o professor João Agostinho Machado Neto, do Departamento de farmacologia do ICB-USP.

Segundo ele, outros inibidores de proteínas quinases, que já estão em testes clínicos, inibem somente a AURKA ou a AURKB – o diferencial da reversina é a capacidade de inibir ambas.

A leucemia, segundo Machado, é um dos canceres mais difíceis de se tratar. A maioria das terapias consiste no ataque a células, tanto tumorais quanto normais, o que pode gerar efeitos colaterais e desgastar os pacientes, principalmente os mais velhos. Em crianças, que geralmente conseguem suportar um tratamento mais intensivo, a cura é obtida em 90% dos casos. Já em adultos e idosos, que não possuem tanta resistência, apenas 20 a 40% conseguem sobreviver a doença após cinco anos do diagnóstico.  “A reversina pode ser uma alternativa para pessoas nessa faixa etária. Eles são os que menos respondem ao tratamento atual e têm chances de responderem melhor com esse fármaco”, afirma o pesquisador.

Com o sucesso dos testes em modelos in vitro, o próximo passo será os testes em animais. O objetivo é identificar alguma toxicidade no medicamento, e se esse perfil de toxicidade (o quanto ele pode fazer mal às células normais) inviabilizaria o uso da droga. A próxima, e última, etapa é os testes em humanos, que deve ocorrer daqui a alguns anos. A partir do resultado desse processo que o medicamento poderá entrar no mercado.

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Por Acadêmica