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Rede de pesquisa em queijos artesanais busca novos pesquisadores

Iniciativa do FoRC, REPEQUAB visa ampliar base de cientistas dedicados ao tema no País e incentivar trabalhos conjuntos.

A Rede de Pesquisas em Queijos Artesanais Brasileiros (REPEQUAB) convida pesquisadores de todo o Brasil, que se dedicam ao tema “queijos artesanais”, para integrar seu quadro de pesquisa. Criada em julho do ano passado por iniciativa do Centro de Pesquisas em Alimentos (FoRC – Food Research Center), a rede conta hoje com dezenas de pesquisadores de diversas regiões do País e já realizou dois encontros, um no Sudeste, outro no Nordeste. O próximo será em local e datas a serem definidos brevemente.

“Queremos dar visibilidade à REPEQUAB, porque percebemos que há muita gente trabalhando com queijos artesanais e, se unirmos esforços, poderemos obter resultados conjuntos sem desperdiçar recursos e tempo, e fortalecer o setor queijeiro brasileiro”, resume a professora Bernadette Dora Gombossy de Mello Franco, que coordena a rede ao lado de outros cinco pesquisadores: Christian Hoffmann (FCF/USP), Cynthia Jurkiewicz Kunigk (Instituto Mauá de Tecnologia), Gustavo Augusto Lacorte (IFMG), Mariza Landgraf (FCF/USP) e Uelinton Manoel Pinto (FCF/USP).

Os pesquisadores interessados em participar da rede devem se cadastrar neste link: http://www.repequab.com.br/integre-se-a-rede. A REPEQUAB também busca parcerias com instituições interessadas em apoiar pesquisas cujas temáticas, em geral, dizem respeito à qualidade dos queijos artesanais produzidos no País. Mais informações podem ser obtidas no site www.repequab.com.br/, onde consta também a lista dos pesquisadores integrantes, com dados que viabilizem mais colaborações (área de pesquisa, disponibilidade de amostras, tipos de análises que cada um faz etc).

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Por Acadêmica
FoRC estuda transformar subprodutos da produção de alimentos em insumos de alto valor agregado

Pesquisadores buscam extrair ingredientes funcionais de resíduos da indústria alimentícia para enriquecer formulações já existentes ou gerar novos suplementos alimentares.

Resíduos da indústria de alimentos, geralmente destinados a atividades como adubação ou nutrição animal, podem ser transformados em ingredientes de alto valor agregado para acréscimo em diversas formulações de alimentos. Cientistas ligados ao Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC – Food Research Center) estão desenvolvendo pesquisas para aproveitar e agregar valor de diversos subprodutos e resíduos industriais, como os da laranja, maçã, uva, mamão, manga, papaia, chuchu e trigo. Trata-se de um material rico em compostos bioativos e substâncias benéficas ao organismo humano.

Outra linha de pesquisa dos pesquisadores é o aproveitamento de ingredientes oriundos de alimentos injuriados mecanicamente e rejeitados pelo mercado por sua aparência, mas que estejam em boas condições fitossanitárias. Neste caso são alimentos que possuem vitaminas, minerais e, também, fibras alimentares que podem diminuir a incidência de doenças crônicas não transmissíveis, por exemplo. “Quando armazenados de forma incorreta ou processados, e havendo subprodutos desse processamento, pode ocorrer perda de vitaminas e de compostos fenólicos, mas o mais importante é que as fibras alimentares continuam lá, porque elas dão estrutura aos vegetais. E podemos aproveitá-las”, explica o professor João Paulo Fabi, lembrando que os efeitos benéficos das fibras são reconhecidos por diversos estudos no mundo todo.

Segundo ele, durante o beneficiamento do trigo, 75% do que entra no processo se transforma em farinha e 25% em farelo, geralmente utilizado para ração animal. “O farelo é fonte de fibras alimentares, compostos fenólicos e proteínas. Todos estão fortemente interligados, fazendo com que ele seja bastante duro e dificultando a extração das substâncias com tratamento em água. Destaco dois polissacarídeos – os arabinoxilanos, que têm reconhecida ação probiótica; e

os betaglicanos, que têm ação imunomoduladora. No laboratório, fizemos modelos de tratamento usando alta temperatura, alguns tipos de ácidos e compostos básicos, e conseguimos extrair ambas as substâncias cinco vezes mais do que com o tratamento aquoso. Esses polissacarídeos poderiam ser acrescentados em formulações já existentes ou até mesmo vendidos como suplementos alimentares.”

A equipe de Fabi estuda, ainda, as pectinas do papaia e do chuchu, e também o albedo do maracujá, aquela parte branquinha que abriga as sementes e também é rica em pectinas. “Os benefícios biológicos das pectinas são a imunomodulação e a diminuição do risco de câncer, por conta da fermentação e da produção de butirato. Esses efeitos ocorrem com as estruturas em sua forma natural. Mas existem alguns tipos de modificações químicas que podemos fazer nas pectinas e que podem aumentar determinados efeitos biológicos”, revela Fabi, lembrando que as pectinas modificadas de citros já são comercializadas no mercado americano.

“Queríamos saber se as pectinas modificadas dos resíduos de maracujá e das porções não aproveitadas de papaia e chuchu poderiam ter os mesmos efeitos das que já existem no mercado.” Em modelos in vitro, a equipe conseguiu fazer com que as pectinas extraídas levassem à diminuição da proliferação de células de câncer colo-retal. Também conseguiu fazer com que, na presença das pectinas, essas células cancerígenas se auto reprogramassem para aumentar a apoptose (morte celular programada).

A professora Neuza Mariko Aymoto Hassimotto, que se dedica a estudos de reaproveitamento de resíduos da produção de suco de maçã, explica que de 20% a 40% do total de frutas que entra no processamento do suco se transforma em resíduos, ricas fontes de compostos fenólicos. “Na extração do suco, parte dos compostos fenólicos vai para a bebida, mas alguns, como a quercetina, permanecem no bagaço, fazendo dele uma matéria prima rica para a obtenção deste flavonoide. A quercetina é reconhecida por apresentar diversas propriedades biológicas: é antioxidante e possui propriedades anti-inflamatórias, o que poderia impactar a saúde de maneira positiva”, diz Neuza.

Outra maneira de aproveitar os subprodutos da indústria alimentícia é utilizá-los como substrato para estimular o crescimento de microrganismos, como estratégia para bioenriquecer alimentos. A pesquisadora Marcela Albuquerque

criou uma bebida fermentada à base de soja, bioenriquecida com uma combinação de cepas de microrganismos benéficos produtores de folato (vitamina B9). Para estimular a multiplicação desses microrganismos ela testou subprodutos de diversos alimentos, como o okara (oriundo do processamento da soja), e ainda subprodutos de acerola, maracujá, laranja e manga.

“Testei vários resíduos de fruta. O da laranja foi o que mais estimulou a multiplicação e a produção da vitamina pelos microrganismos benéficos. Entretanto, ele tem sabor residual amargo, o que inviabiliza sua utilização para o desenvolvimento de novos alimentos. Acabei optando pelo resíduo do maracujá, porque era o que tinha o menor teor de folato. Por ter pouca quantidade da vitamina, a probabilidade do resíduo do maracujá inibir a produção da vitamina pelas bactérias testadas nos experimentos seria reduzida.”

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Por Acadêmica
REPEQUAB se consolida e quer agregar novos  pesquisadores que trabalham com queijos artesanais

Iniciativa do FoRC, rede de pesquisa visa ampliar base de cientistas dedicados ao tema no País e incentivar trabalhos conjuntos.

A Rede de Pesquisas em Queijos Artesanais Brasileiros (REPEQUAB) convida pesquisadores de todo o Brasil, que se dedicam ao tema “queijos artesanais”, para integrar seu quadro de pesquisa. Criada em julho deste ano por iniciativa do Centro de Pesquisas em Alimentos (FoRC – Food Research Center), a rede conta hoje com 30 pesquisadores de diversas regiões do País e já realizou dois encontros, um no Sudeste, outro no Nordeste. O próximo será em local e datas a serem definidos brevemente.

“Queremos dar visibilidade à REPEQUAB, porque percebemos que há muita gente trabalhando com queijos artesanais e, se unirmos esforços, poderemos obter resultados conjuntos sem desperdiçar recursos e tempo”, resume a professora Bernadette Dora Gombossy de Mello Franco, que coordena a rede ao lado de outros cinco pesquisadores: Christian Hoffmann (FCF/USP), Cynthia Jurkiewicz Kunigk (Instituto Mauá de Tecnologia), Gustavo Augusto Lacorte (IFMG), Mariza Landgraf (FCF/USP) e Uelinton Manoel Pinto (FCF/USP).

Os pesquisadores interessados em participar da rede devem se cadastrar neste link: http://www.repequab.com.br/integre-se-a-rede. A REPEQUAB também busca parcerias com instituições interessadas em apoiar pesquisas cujas temáticas, em geral, dizem respeito à qualidade dos queijos artesanais produzidos no País. Mais informações podem ser obtidas no site www.repequab.com.br/, onde consta também a lista dos pesquisadores integrantes, com dados que viabilizem mais colaborações (área de pesquisa, disponibilidade de amostras, tipos de análises que cada um faz etc).

Encontros da rede – O primeiro encontro da rede ocorreu em agosto deste ano, em São Paulo, na Universidade de São Paulo, quando foram apresentados resultados de pesquisa e definidas algumas estratégias de atuação da REPEQUAB. São elas: fomentar e aprimorar a extensão universitária aos produtores; aproximar os pesquisadores dos produtores por meio de instituições como a Emater e associações de produtores locais; e envolver estudantes de graduação e pós-graduação nos trabalhos.

Em outubro último, aconteceu o segundo encontro, em Maceió (AL), durante o 30° Congresso Brasileiro de Microbiologia. O evento contou com cerca de cem participantes, estudantes e pesquisadores de várias regiões do Brasil. Além de aspectos mercadológicos e legislativos da produção artesanal brasileira, foram apresentados resultados preliminares de pesquisas feitas por integrantes da rede.

Projeto Canastra – A REPEQUAB surgiu quando pesquisadores do FoRC iniciaram um projeto junto aos produtores de queijo da Serra da Canastra (MG) para caracterização das bactérias envolvidas na produção dos queijos artesanais da região. Realizado com o apoio da Emater-MG e da APROCAN – Associação de Produtores de Queijos da Canastra, o trabalho tem o objetivo de auxiliar os produtores a adotarem boas práticas de produção.

Os pesquisadores do FoRC já estiveram duas vezes na Serra da Canastra, na cidade de São Roque de Minas (MG). “Uma nova visita deverá ser feita ainda este ano, na primeira semana de dezembro, durante a qual os pesquisadores se reunirão com a associação dos produtores para fazer um relato do andamento das pesquisas e planejar atividades futuras”, afirma Christian Hoffmann.

 

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Aplicativo traz os nutrientes de 3.500 alimentos

Trata-se de um app da nova versão da Tabela Brasileira de Composição

de Alimentos, que foi ampliada e inclui a composição química de 2.100 receitas.

O Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC – Food Research Center) lança, no dia 28 de agosto, um aplicativo da Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TBCA), que está em sua 7º versão. Ampliada e com novos recursos de busca, a TBCA traz a composição química e o valor energético de cerca de 3.500 alimentos (1.600 a mais que a versão anterior), incluindo crus e cozidos, produtos manufaturados e pratos compostos. Só de receitas, são quase 2.100 itens.

O app da TBCA estará disponível na loja de aplicativo para Android. Por meio dele, o usuário terá acesso à composição centesimal (umidade, proteínas, lipídios, carboidratos, cinzas e energia), as vitaminas A e C, cálcio, ferro e sódio de cada alimento. “A vantagem do aplicativo é a mobilidade, o acesso à informação pelo celular caso não se tenha computador disponível”, explica a nutricionista Kristy Soraya Coelho, pesquisadora FoRC e que trabalha no projeto desde 2015”, acrescenta.

Novos recursos – A 7ª versão da TBCA está abrigada em um site de alto rendimento, que permite milhares de acessos simultaneamente. O sistema de busca foi modificado para facilitar o trabalho de nutricionistas e pesquisadores. O usuário pode fazer buscas por alimento, grupo ou tipo de alimento. “A busca por tipo de alimento, incluída na ferramenta nova, facilita muito. Por exemplo, em uma busca pelo alimento “feijão”, no tipo “preparação”, só aparecerão receitas com feijão, e não o feijão in natura”, exemplifica Kristy. Uma busca como essa trará uma lista com dados de 35 receitas, desde feijão carioca até salada de feijão fradinho, sopa de feijão, feijão preto, mocotó com feijão branco, etc.

Outra forma de busca é pelo componente, associado ao grupo e tipo de alimento que interessa ao usuário. Exemplo: ao selecionar “colesterol” (componente), “peixes e frutos do mar” (grupo de alimentos) e “in natura” (tipo de alimento), aparecem todos os peixes e frutos do mar crus com este componente, ordenados de forma decrescente ou crescente conforme a quantidade de colesterol.

Diferença nos detalhes – A exemplo da versão anterior, a nova TBCA também traz uma ferramenta de avaliação de ingestão energética, mas agora com a possibilidade de busca por alimento, grupo, tipo ou os três juntos. Exemplo: ao clicar em “feijão” e “preparação”, o sistema apresenta uma lista com 12 receitas. Em cada uma há informação sobre a medida de energia (kcal), por unidade de medida caseira – uma concha rasa, por exemplo.”, segundo Kristy.

Eliana Bistriche Giuntini, nutricionista e pesquisadora do FoRC, também envolvida no trabalho, destaca que as receitas incluem diferentes modos de preparo e ingredientes que levam em consideração hábitos de públicos distintos. “Tivemos a preocupação de colocar preparações com óleo, sem óleo… Outro exemplo: arroz polido com sal, sem sal; arroz integral com sal, sem sal, e assim por diante”, conta. “Os dados da TBCA também estão sendo produzidos em função da demanda da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), do IBGE, com o objetivo de subsidiar o Instituto com dados atuais para análise de consumo alimentar”, acrescenta Eliana.

 

Serviço: O lançamento da 7ª versão da TBCA e do aplicativo acontece no 15° Congresso Nacional da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN), dia 28 de agosto, 14h30, no Centro de Convenção Rebouças, em São Paulo, e será marcado por uma palestra, em uma das sessões na abertura do evento, feita pela professora Elizabete Wenzel de Menezes, e pelas pesquisadoras Eliana Bistriche Giuntini e Kristy Soraya Coelho em outras sessões do dia 30. No Congresso, o FoRC também estará no estande da SBAN para demonstração das novas funcionalidades do site da TBCA e também do aplicativo.

Sobre a TBCA: A TBCA tem o objetivo de auxiliar profissionais de nutrição na montagem de cardápios e dietas personalizadas, além de ajudar a comunidade em geral a atingir a meta de uma alimentação saudável. Sua base de dados também fornece subsídios para pesquisas que envolvem quantificação de nutrientes em alimentos. Entre outros diferenciais, a TBCA trabalha majoritariamente com dados dos alimentos mais consumidos pelos brasileiros. Seu acesso para consulta é gratuito e livre, mas é necessário adquirir licença paga para o uso de sua base de dados em uma outra ferramenta de trabalho.

A TBCA foi primeira tabela de composição de alimentos online da América Latina e foi ao ar em 1998. Atualmente, é a mais abrangente feita no País. Desde sua origem, segue os preceitos do Infoods (International Network of Food Data Systems), que define regras para análise e compilação de alimentos, e tem como meta melhorar a qualidade da informação de composição de alimentos mundialmente. O projeto, abarcado pelo Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC) em 2013, está sob a coordenação dos professores Franco Lajolo e Elizabete Wenzel de Menezes, ambos integrantes do FoRC e docentes da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF/USP).

Mais informações: tbca.contato@usp.br.

 

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Pesquisadores desenvolvem suco de uva com mais resveratrol

Substância, que até então só era encontrada em maiores quantidades no vinho, pode prevenir doenças.

Os benefícios do resveratrol, substância presente no vinho, já são amplamente conhecidos: prevenção de doenças coronárias, redução dos níveis de colesterol ruim (LDL); ação anti-inflamatória e fortalecimento do sistema muscular. Já no suco de uva, a concentração de resveratrol é muito menor. Um estudo realizado no Centro de Pesquisa em Alimentos (Food Research Center – FoRC), ainda em andamento, pode trazer uma solução para esse problema: um suco de uva integral com 70% mais resveratrol do que os sucos comuns.

A pesquisadora Laís Moro, doutoranda em Ciência dos Alimentos na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP), desenvolveu uma técnica para estimular a produção de resveratrol naturalmente nas plantas. “Os resultados preliminares indicam que, com o tratamento, houve um aumento de 70% desse composto no suco – que se manteve mesmo após armazenamento de seis meses”, explica. O estudo foi coordenado pelo professor Eduardo Purgatto, pesquisador do FoRC.

Os testes foram realizados no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais com duas variedades de uva, totalizando 240 litros por região, sendo que parte das videiras era tratada e a outra não. Além do resveratrol, os pesquisadores observaram um aumento significativo de outras substâncias, como antocianinas e flavonoides, que também são aliadas na promoção da saúde.

Segundo Laís Moro, o próximo passo é avaliar se os resultados se reproduzem em um segundo ano de estudo, para comprovar o potencial do tratamento.

Diferencial – A pesquisadora explica que, para ingerir a mesma quantidade de resveratrol de um copo de suco ou vinho apenas consumindo as uvas, seria necessário consumir uma grande quantidade, incluindo a casca e a semente. São essas partes que possuem a maior concentração da substância, mas nem sempre são consumidas.

O processo de fabricação do vinho, que envolve fermentação, favorece a extração de resveratrol e de outros compostos bioativos da uva, mas nem todos podem consumi-lo. “O novo suco é direcionado a crianças, idosos e pessoas que não podem ou não gostam de consumir vinho. Seria uma alternativa que une o prazer do sabor aos componentes terapêuticos”.

Os efeitos benéficos da substância também têm sido analisados por outras perspectivas. Um estudo recentemente publicado na revista Frontiers in Physiology, realizado por pesquisadores de Harvard em parceria com a NASA, demonstrou que o resveratrol é capaz de reduzir a perda de massa muscular – problema enfrentado por astronautas quando estão em ambientes de baixa gravidade.

Os testes foram realizados em animais, divididos em grupos que receberam ou não o tratamento com resveratrol. Os pesquisadores simularam uma microgravidade nas gaiolas e mediram o diâmetro da tíbia e a força da pata desses animais, antes e depois do teste. No final, o grupo que foi submetido à microgravidade e que recebeu resveratrol tinha o músculo preservado e com mais força em relação àquele que não recebeu o tratamento. Embora ainda seja um estudo preliminar, os resultados promissores indicam novas possibilidades de aplicação do resveratrol.

 

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Doenças crônicas podem ter origem no desenvolvimento do feto


Além de doenças cardiovasculares, uma gama de enfermidades da vida adulta pode estar conectada a condições enfrentadas pelo feto durante a gestação; cientistas sugerem que intervir na dieta pode minimizar esses riscos.

 

O risco de desenvolvimento de doenças crônicas é um reflexo de fenômenos que acontecem durante toda a vida de uma pessoa. Obviamente, o risco aumenta com a idade. Mas, ao contrário do que se poderia imaginar, no momento do nascimento, esse risco não é igual a zero. Isso porque o organismo do recém-nascido pode carregar uma programação metabólica que já o predispõe, quando adulto, a desenvolver determinados tipos de enfermidade. Quem explica é Thomas Ong, do Centro de pesquisa em Alimentos (FoRC – Food Research Center), professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP)

“O que acontece na barriga da mãe durante aqueles nove meses tem repercussões profundas na forma como o feto se desenvolve, e isso pode ficar registrado no organismo. Na vida adulta, pode modificar o metabolismo dos filhos e das filhas, e também influenciar os riscos prováveis de doenças crônicas. Estamos falando de doenças cardiovasculares, mas também de diabetes, obesidade e alguns tipos de câncer, como o de mama, que é foco do nosso grupo de pesquisa.”

Segundo Ong, a relação entre o desenvolvimento do feto e a predisposição a determinados tipos de doenças foi chamada por algum tempo de ‘programação fetal’, mas hoje há outro termo para designá-la: Origens Desenvolvimentistas da Saúde e Doença. “O termo deixa claro que o desenvolvimento do indivíduo tem conexão com as doenças crônicas. E desenvolvimento, nos seres humanos, pressupõe janelas importantes: a vida fetal é uma delas.”

Ele acrescenta que também a vida neonatal, a infância, a puberdade e as experiências da mãe durante a lactação são etapas importantes. “Eu considero, ainda, a pré-concepção como uma janela de desenvolvimento relevante: ou seja, a saúde da mãe e do pai antes da concepção.”

O preço da adaptação – O professor explica que, na década de 80, o epidemiologista David Barker aventou a possibilidade de que a ausência de nutrientes, durante a gestação, pudesse estar conectada a doenças cardiovasculares. Mais tarde, na década de 90, junto com o colega Nick Hales, sustentou que a adaptação do feto a condições adversas tinha um preço, que seria cobrado mais tarde, na vida adulta do indivíduo. A hipótese ficou conhecida como “hipótese do fenótipo econômico”.

“Nosso organismo é uma máquina fabulosa pois, mesmo que falte energia, a gente dá um jeito, e os bebês nascem. Mas esse “jeito” tem um custo, porque o cobertor de calorias, de energia e de nutrientes é curto. Então, prioriza-se o desenvolvimento do sistema nervoso central: do cérebro, que é o órgão mais nobre. Às custas do desenvolvimento de órgãos periféricos: fígado, coração, tecido adiposo…”

Existe também outro nível de adaptação, que ajuda a explicar enfermidades como a obesidade, por exemplo. “Na barriga da mãe, o feto que passa por algum tipo de condição adversa está recebendo a seguinte mensagem: ‘você vai enfrentar um mundo hostil lá fora, com falta de nutrientes.’ O feto, então, se adapta no sentido de maximizar a sobrevida num ambiente em que ele prevê que vai faltar comida, e se torna mais econômico com o pouco de energia que encontra.”

Mas, segundo Ong, quando a vida pós-natal é diferente do que foi previsto, acontece um descompasso metabólico. “O indivíduo se tornou mais eficiente metabolicamente, e está mais propenso a armazenar gordura, o que permite que ele sobreviva. Só que, quando nasce, ele encontra uma quantidade adequada de comida, às vezes até excesso. Então se infere que parte do risco de obesidade tenha a ver com esse tipo de situação.”

Pai e ambiente – O peso do ambiente no desenvolvimento de doenças crônicas foi algo reconhecido muito recentemente pela comunidade científica. Até a década de 80 acreditava-se que elas tinham origem estritamente genética. Assim, também, o peso do pai no desenvolvimento do feto foi algo tardiamente endereçado. A maioria dos estudos a esse respeito começou a ser publicada em 2010.

Ong, que vem estudando o impacto da herança paterna na incidência de câncer de mama em mulheres adultas, lembra que no pai, a importância do ambiente se evidencia, pois o homem produz espermatozoides durante toda a sua vida fértil, que dura décadas.

“Os espermatozoides são muito expostos ao ambiente. Fatores como nutrição, estado metabólico, nível de obesidade, tabagismo, etc. podem afetar a qualidade dos espermatozoides, e até a quantidade. Há maior nível de infertilidade em indivíduos obesos, por exemplo, os estudos mostram. Mas a qualidade do espermatozoide também é afetada e isso é muito importante porque, dependendo do estado do espermatozoide na hora da fecundação, essas informações podem ser transmitidas para o embrião e fixadas ali. E podem programar o desenvolvimento do feto e o risco para doenças crônicas na idade adulta.”

Neste momento, Ong se dedica a desenhar estudos para tentar verificar que intervenções podem ser feitas, na dieta do pai, para reverter uma programação fetal que venha a “cobrar” do indivíduo um alto preço mais tarde. “Outros grupos verificaram que uma intervenção com um mix de compostos bioativos, como licopeno, polifenóis do chá verde, zinco etc. ajuda nesse sentido. No nosso grupo está estudando a suplementação com selênio, porque no primeiro estudo que fizemos, vimos que a deficiência de selênio nos pais aumentou o risco de câncer de mama nas filhas. Chegamos a testar esse caminho, mas a suplementação não teve o impacto positivo que esperávamos. Deduzimos que o contexto metabólico do indivíduo que recebe a suplementação é muito importante, e vamos realizar novo experimento, agora com pais estressados metabolicamente”, adianta o professor.

Epigenética – Ong chama a atenção para a importância dos fenômenos epigenéticos. Segundo o pesquisador, em nosso organismo há o “hardware”, que é o nosso genoma (a sequência mesmo), e o “software”, que controla como nosso hardware funciona. E esse software são os fenômenos epigenéticos. “Cada tipo celular tem uma programação epigenética. Lembrando que nosso organismo tem vários tipos de célula, mas todas com o mesmo genoma, que foi determinado quando houve a fusão dos gametas. No entanto, em termos de morfologia e funcionalidade, uma célula do fígado e uma célula adiposa, por exemplo, são completamente diferentes. Parte dessa diferença tem a ver os programas epigenéticos, que são estabelecidos também no início da vida.”

A epigenética se refere a modificações acessórias à molécula de DNA, transmitidas por divisão celular, que não modificam a sequência de bases, mas podem regular a forma como e gene é expresso. “Um bom exemplo é a metilação do DNA, o mecanismo epigenético mais bem caracterizado: é uma modificação química que, entre outras coisas, pode suprimir a transcrição de determinados genes.”

Nutrientes demais – Hoje o mundo atravessa uma transição nutricional, e mais de 30% da população está obesa. “A ironia foi que percebemos que o excesso nutricional na origem da vida também resulta nas mesmas doenças: obesidade, diabetes, cardiovasculares… O excesso de nutrientes no início da vida também cobra seu preço, mesmo que a pessoa tenha uma dieta normal para o resto da vida.”

Seja como for, lembra Ong, os fenômenos epigenéticos são potencialmente reversíveis e há muitos grupos estudando isso, principalmente via manipulação da dieta. “No início da vida, o epigenoma é mais plástico, mas quando vamos envelhecendo, ele ‘endurece’ e é mais difícil manipular. ”

Enquanto os cientistas tentam responder se, por meio de intervenções alimentares, conseguirão modular os fenômenos epigenéticos e minimizar os riscos de doenças induzidas por eles nos adultos, o conselho de fundo não muda: ter uma dieta equilibrada e saudável, fazer exercícios regularmente, beber pouco e não fumar. Mais do que garantir bem-estar, essas atitudes prometem uma herança mais interessante para os pimpolhos.

 

Sobre o FoRC – Criado em 2013, o FoRC é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Reúne equipes multidisciplinares de diferentes instituições de pesquisa do Estado de São Paulo: USP, UNICAMP, UNESP, Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL) e Instituto Mauá de Tecnologia (IMT). Suas linhas de pesquisa estão estruturadas em quatro pilares: Sistemas Biológicos em Alimentos; Alimentos, Nutrição e Saúde; Qualidade e Segurança de Alimentos e Novas Tecnologias e Inovação. Além de realizar pesquisas e promover a transferência de tecnologias e novos conhecimentos para a sociedade, o FoRC também realiza atividade de difusão do conhecimento científico.

 

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