Nova técnica mede a resposta imunológica  de pacientes com câncer de mama

Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da USP conseguiram calcular quantos linfócitos T são específicos para combater o tumor. O estudo abre caminho para entender por que pacientes têm respostas diferentes aos tratamentos.

 

Um estudo do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) conseguiu verificar quantos linfócitos T – células do sistema imunológico – são capazes de reconhecer e combater o câncer de mama, a partir da adaptação de uma técnica desenvolvida pela pesquisadora italiana Federica Sallusto, a biblioteca de linfócitos T. Com a descoberta, é possível avaliar individualmente a resposta imunológica de cada paciente e buscar novas alternativas para melhorá-la. A pesquisa é fruto do doutorado de Mariana Pereira Pinho, orientada pelo professor José Alexandre Barbuto, do Laboratório de Imunologia de Tumores.

Um dos focos do laboratório é a imunoterapia, que consiste em utilizar métodos para potencializar a própria resposta imunológica do indivíduo a determinada doença. “A imunoterapia funciona bem para vários tipos de tumor, mas apenas cerca de 30% dos pacientes se beneficiam. Com a técnica, nós conseguimos saber se o paciente apresenta uma resposta imunológica natural ao tumor e o quanto ele responde. Isso nos ajuda a entender melhor as imunoterapias e saber o quanto elas são efetivas para cada paciente”, explica a pesquisadora.

Segundo Mariana Pinho, a biblioteca de linfócitos T adaptada também pode ser aplicada em outros tipos de câncer. Na técnica original, são realizados testes in vitro nos quais é possível observar quantos linfócitos T proliferam ao entrar em contato com células apresentadoras de antígenos, identificando quais deles são específicos para combater tais antígenos. Mas a técnica não funcionava bem para tumores, então precisou ser adaptada pela pesquisadora.

“Em nosso ensaio, utilizamos a célula dendrítica, pois é considerada a célula apresentadora de antígeno mais potente entre as conhecidas. Para detectar a proliferação das células, utilizamos um corante que nos permite visualizar um único linfócito T se dividindo, mesmo que ele se divida poucas vezes – que é o caso de sua resposta frente às células tumorais”.

Outras aplicações – A nova técnica será uma grande aliada às outras pesquisas do laboratório coordenado pelo professor José Alexandre Barbuto, como as vacinas terapêuticas para glioblastoma, um dos tumores mais agressivos do sistema nervoso central. A vacina, que já está sendo testada em pacientes, utiliza células dendríticas para melhorar a resposta do sistema imunológico ao câncer. Essas células são responsáveis por apresentar agentes estranhos no organismo, para serem combatidos pelas células de defesa. O tratamento faz com que as células do paciente reconheçam o tumor como um problema, aumentando o número de linfócitos T específicos para combatê-lo.

 

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