Exercício físico materno pode melhorar aprendizado e déficits cognitivos na prole, sinais comuns do autismo

Estudo do ICB-USP mostra que nos modelos animais, com mutação no gene da PTEN, o exercício físico da mãe resultou em um aumento de BNDF, proteína importante para o desenvolvimento do cérebro.

 

Um grupo de pesquisadoras do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) demonstrou que o exercício físico é capaz de amenizar os déficits ocasionados pela deleção no gene da PTEN, um dos muitos genes associados ao Transtorno do Espectro Autista (TEA). A pesquisa foi feita em modelos animais de fêmeas com e sem a deleção (grupo controle) e consistiu em analisar o efeito do exercício físico materno na prole.

Segundo a professora Elisa Kawamoto, do Departamento de Farmacologia do ICB, que orientou a pesquisa, esses animais apresentam algumas características semelhantes às de pessoas com autismo, como comportamento tipo ansioso, movimentos estereotipados e déficits de interação social e de aprendizado. As fêmeas eram submetidas ao protocolo de exercício físico voluntário, utilizando rodas giratórias antes, durante e após a prenhez. Posteriormente, o grupo realizou uma série de testes na prole cuja mãe tinha feito exercício físico e na prole cuja mãe era sedentária.

A pesquisadora Diana Zukas Andreotti, autora do estudo, explica que o grupo cuja mãe não fez exercício físico tinha maior dificuldade de aprender tarefas, enquanto o outro grupo cuja mãe fez exercício físico teve uma melhor performance nos testes de aprendizado em um primeiro momento, porém o desempenho foi semelhante aos demais grupos conforme o desenrolar do teste. O mesmo ocorreu em relação ao comportamento ansioso: os animais cuja mãe fez exercício eram mais ansiosos, mesmo aqueles sem a mutação.

“Dados da literatura mostram que o exercício físico, em geral, não provoca ansiedade; é ansiolítico. Então, decidimos retirar a roda giratória após o nascimento dos filhotes”, explica Diana Zukas Andreotti. Assim, a mãe passaria mais tempo com a prole durante a amamentação, evitando o estresse dos filhotes. Foi nesse novo procedimento que o grupo cuja mãe havia se exercitado apenas antes e durante a prenhez apresentou melhora significativa no aprendizado, no comportamento ansioso e na interação social. “A influência do comportamento materno foi um achado inesperado dentro de nossa pesquisa”, observa.

Por que funciona – De acordo com Elisa Kawamoto, nos modelos animais com mutação PTEN cuja mãe fez exercício, foi observado um aumento de BNDF, proteína importante para o desenvolvimento do cérebro. “Normalmente, em animais com déficit cognitivo, o BNDF está reduzido. Então, é possível que a melhora nos testes cognitivos ocorra devido a esse aumento, mas ainda confirmaremos essa hipótese nos próximos passos”, ressalta. Dessa forma, acredita-se que o exercício físico feito durante a prenhez possa influenciar o desenvolvimento cerebral, podendo amenizar os sintomas decorrentes da deleção.

No caso dos humanos, a pesquisadora Elisa Kawamoto explica que a atividade física já é utilizada como uma terapia complementar para diversas doenças. “Uma série de pesquisas na literatura aponta os benefícios do exercício físico. No caso do autismo, ele representa uma intervenção não farmacológica que pode auxiliar na melhora dos sintomas e, consequentemente, na qualidade de vida do paciente”.

 

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