Soluções no Porto de Santos devem envolver região metropolitana

Recomendação é do professor do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Poli, Alex Abiko, um dos palestrantes do PUL 2015.

Para resolver os gargalos em torno das operações do Porto de Santos e os impactos que suas atividades geram na população e região, não adianta apenas estudar o próprio porto ou a cidade de Santos. “Precisamos incluir as questões de urbanização de toda a região metropolitana se quisermos realmente resolver os problemas” alertou Alex Abiko, professor do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da USP, em palestra apresentada na Reunião Anual da Liga das Universidades de Cidades Portuárias (PUL’2015 – Port-city Universities League Meeting), encontro que reuniu em São Paulo, nos dias 5 e 6 de outubro, uma rede internacional de universidades envolvidas com estudos sobre cidades portuárias.

A Região Metropolitana de Santos engloba nove cidades – além de Santos, Cubatão, Guarujá e Bertioga, também os municípios de São Vicente, Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe. De acordo com o docente, essa é uma das regiões de maior concentração populacional do País. “O Brasil não tem um nível administrativo equivalente para as regiões metropolitanas, como temos para Estados e municípios, mas atualmente grande parte dos problemas urbanos está relacionado a esse tipo de região” disse. Segundo o docente, as soluções para os problemas relacionados ao Porto de Santos devem envolver os demais municípios, já que suas atividades afetam a população da região, e não apenas Santos, Guarujá e Cubatão, onde estão as instalações portuárias.

O foco da palestra do professor Alex Abiko foram os problemas relacionados à urbanização de Santos, com exemplos de duas pesquisas: uma relacionada à atuação da Defesa Civil em casos de desastres naturais e outra sobre a remoção da população de uma favela da Serra do Mar para um condomínio do CDHU, em Cubatão.

Poli em Santos – Além de Abiko, outros docentes apresentaram as atividades dos projetos, centros de pesquisa e laboratórios da Poli voltadas para o Porto e a cidade, a exemplo do Centro de Simulações do Tanque Numérico de Provas (TPN), do Centro de Inovação em Logística e Infraestrutura Portuária (CILIP) e do Centro de Estudos em Gestão Naval (CEGN). Algumas pesquisas também foram apresentadas, como o estudo liderado pelo professor Paolo Alfredini, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental (PHA), sobre o impacto do aumento do nível do mar na região.

No dia anterior, na abertura do evento, o reitor da USP, Marco Antonio Zago; e o diretor da Escola Politécnica, José Roberto Castilho Piqueira; deixaram claro que a USP e a Poli pretendem ter um papel decisivo no desenvolvimento sustentável da região. “Foi por isso que há três anos decidimos abrir um campus na cidade” frisou Zago. “Uma das minhas prioridades como diretor da Poli é transformar a unidade de Santos em um campus de excelência internacional em Engenharia” acrescentou Piqueira