Brasil já consumiu metade da cota de “volume morto do IPv4

Antônio Moreiras, do NIC.br, falou sobre implementação do IPv6 na

1ª Conferência Abranet, realizada em São Paulo.

O Brasil já utilizou praticamente metade dos poucos IPs ainda disponíveis do IPv4 do lote ainda existente para distribuição nesse protocolo. “Chegamos ao final do IPv4 no ano passado e agora, fazendo uma analogia ao que estamos observando em relação a água, estamos usando a primeira cota do volume morto de IPs” disse Antonio Moreiras, gerente da área de projetos do NIC.br, que apresentou hoje (13/05) uma palestra sobre a implantação do novo protocolo IPv6 na 1ª Conferência Abranet, realizada pela Associação Brasileira de Internet (Abranet) em São Paulo.

Moreiras também coordena o IPv6.br, projeto que engloba uma série de iniciativas para a disseminação do protocolo no País. Segundo ele, o Brasil está usando agora o que seria um ‘estoque de segurança’ do IPv4, um bloco mínimo que estava reservado para uso no contexto de esgotamento gradual de IPs que hoje é observado. “Ainda não fiz um estudo detalhado, mas pelo ritmo que temos observado de pedidos de IPs a segunda metade desse estoque deverá ter se esgotado até o fim deste ano ou início de 2016” comentou.

Segundo ele, há ainda um outro estoque de IPs que poderia ser considerado um segundo “volume morto” mas para obter esses IPs há muito mais restrições. Hoje, qualquer empresa pode pedir IPs, mas terá direito a apenas 1.024 IPs e só poderá fazer nova solicitação depois de seis meses. Para a segunda e última cota de IPs do IPv4, apenas novos entrantes, ou seja, empresas que estão começando a operar, poderão fazer a solicitação, sem direito a um novo pedido.

Diante desse quadro de esgotamento de IPs, há dois caminhos para as empresas. No primeiro, elas podem ofertar o IPv6 para seus novos clientes, o que pode acarretar problemas porque nem todos os sites são acessados pelo novo protocolo no Brasil, como sites de governo, bancos, e-commerce e outros.

O segundo, para empresas que não precisam de um grande número de IPs, é ofertar o IPv4. Como solução paliativa para lidar com o esgotamento do endereçamento da internet no Brasil, e em alguns casos por falta de alternativas de curto prazo, algumas empresas optaram por usar o NAT ou ‘tradução de endereços de rede’ para compartilhar endereços IPv4 entre diversos usuários simultâneos.

Contudo, essa opção também gera dificuldades, como o não funcionamento de alguns tipos de aplicações de compartilhamento de dados e jogos online, por exemplo. O compartilhamento de IP também gera complicação na identificação dos usuários. As grandes operadoras estão identificado as portas, além do IP dos usuários, para se resguardar. Há ainda questões de lentidão ou falta de conectividade quando há compartilhamento de IPs.

“Os grandes players estão ativando o IPv6” disse. Segundo Moreiras, Vivo, Net e GVT são empresas cujo número de usuários do IPv6 está crescendo rapidamente, e várias outras já estão usando o novo protocolo, caso do Google, Youtube, Netflix, Facebook, LikedIn, Terra e UOL. “O único caminho no médio e longo prazo será a migração para o IPv6” concluiu.

*****************************

Atendimento à imprensa:

Acadêmica Agência de Comunicação – www.academica.jor.br

Erika Coradin – erika@academica.jor.br

Tels. (11) 5081-5237 / (11) 5549-1863