LDL, o “colesterol ruim” pode não fazer mal à saúde

Estudo coordenado pelo Instituto de Física da USP pode alterar

a maneira como é feito o tratamento da arteriosclerose

O LDL, chamado de colesterol “ruim” pode perder a alcunha de vilão da saúde cardiovascular. Uma pesquisa realizada no Instituto de Física da USP conseguiu identificar e quantificar quais as porções da LDL, o chamado colesterol “ruim” que são realmente prejudiciais à saúde. Segundo o professor Antonio Martins Figueiredo Neto, a LDL só leva ao entupimento de vasos sanguíneos quando passou por alterações e está numa versão modificada. “Se esse colesterol está na sua forma original, sem alterações, ele não traz riscos à saúde” diz. A descoberta pode alterar a maneira como é feito o tratamento da arteriosclerose hoje.

A LDL é uma lipoproteína de baixa densidade que está no centro do combate à arteriosclerose. É essa a gordura que, em níveis elevados no sangue, pode levar ao entupimento dos vasos. Atualmente, os exames de sangue medem apenas a totalidade de LDL no organismo. Assim, índices altos do colesterol “ruim dão o sinal de alerta e podem levar ao uso de remédios.

A descoberta da equipe do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Fluidos Complexos (INCT-Fcx), coordenada por Figueiredo Neto do Instituto de Física indica, no entanto, que não importa o valor total da LDL. Esse colesterol só é prejudicial se as suas formas modificadas estão em índices elevados. “Quando a LDL está oxidada, o sistema imunológico do corpo humano não a reconhece mais como algo próprio dele e inicia uma reação imunológica. Essa reação está na base do processo de desencadeamento de diversas doenças cardiovasculares” explica. O INCT-Fcx conta com a colaboração de professores do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, em particular os professores Magnus Gidlund e Andrea Moreira Monteiro.

Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde 2013, divulgada este mês pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 57,4 milhões de brasileiros sofrem com pelo menos uma doença crônica. Destes, 18,4 milhões têm colesterol alto (que corresponde a 12,5% da população acima de 18 anos). O número é preocupante, pois os riscos de doenças do coração aumentam na medida em que os níveis de colesterol estão mais elevados no sangue. De acordo com especialistas, o colesterol alto pode aumentar em 40% os riscos de eventos cardiovasculares.

Mapeamento da LDL – Para identificar e quantificar a LDL nativa (boa) da modificada (ruim), os pesquisadores usaram uma técnica chamada Varredura Z. Com o uso da óptica, ela mede dois parâmetros: o índice de refração não linear e a absorção ótica não linear. Descobriu-se, então, que os dois tipos de LDL têm uma difusividade térmica distinta. Ou seja, cada um deles tem uma “assinatura óptica característica. Uma revisão de todos os estudos usados para chegar à técnica foi publicada recentemente no periódico Liquid Crystals.

“Esse é um tipo de exame que pode facilmente ser transposto para os laboratórios de análise. Se ele se tornar usual, muita gente que acredita estar com o colesterol alto vai chegar à conclusão de que está com a saúde em dia” diz Figueiredo Neto.

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