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Monthly Archives: novembro 2015

Poli-USP desenvolve portal sobre biodiversidade para Ministério

Trabalho dos pesquisadores coloca à disposição da sociedade informações inéditas sobre fauna e flora brasileiras levantadas pelo MMA.

O Instituto Chico Mendes (ICMBio), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente (MMA), é responsável por todas as unidades de conservação ambientais federais e detentor de informações valiosas e inéditas sobre a flora e fauna do Brasil. Essas informações, até o momento, estavam dispersas em órgãos e instituições do MMA, mas graças ao trabalho de um grupo de pesquisadores coordenado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), esses dados agora estarão acessíveis para cientistas e a sociedade em geral, com o lançamento do Portal da Biodiversidade nesta quinta-feira (26/11), em Brasília.

Pesquisadores da Poli, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP (EACH) e do Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Unesp (IGCE), com apoio do NAP BioComp/USP e da Fundação FDTE, foram responsáveis pelo desenvolvimento do Portal, trabalho de pesquisa que contou com apoio da agência alemã Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ).

“São informações preciosas e inéditas que estarão disponíveis para toda a sociedade, fundamentais para uma efetiva política de conservação da nossa biodiversidade. Não podemos proteger o que não conhecemos” destaca o professor doutor Pedro Luiz Pizzigatti Corrêa, coordenador do grupo de pesquisa e que trabalhou em parceria com professor doutor Antônio Mauro Saraiva e a professora doutora Liria Matsumoto Sato todos do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais (PCS) da Poli, além de alunos do programa de pós-graduação em Engenharia Elétrica (área de concentração em Engenharia de Computação) da Poli/USP.

Corrêa foi selecionado como consultor do MMA e coordenou o Grupo Técnico de Integração de Dados de Biodiversidade (GT-MMA), entre 2011 e 2012. O grupo definiu as diretrizes para o compartilhamento da informação no âmbito do Ministério e optou pelo uso de ferramentas do tipo “código aberto (open source). Em 2013, partiu-se então para o trabalho de organizar e tornar público os dados do ICMBio, uma das cinco instituições vinculadas ao MMA – as outras são o Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e a Agência Nacional de Águas (ANA).

 

Mais de 1,5 milhão de registros

“Desenvolvemos uma arquitetura de sistemas de informação que integra as diferentes bases de dados sobre biodiversidade existentes no ICMBio, formadas por dados gerados do monitoramento das unidades de conservação e por centros de pesquisa a ele vinculados” explica. O Portal da Biodiversidade brasileiro do Ministério do Meio Ambiente foi desenvolvido com base num sistema existente da Austrália, considerado o estado da arte em termos de arquitetura e gestão de dados sobre o tema.

Coube aos pesquisadores projetar e desenvolver essa arquitetura, de forma que pudesse agregar os dados da fauna no âmbito do ICMBio, integrando-os e disponibilizando-os por meio de um portal de dados. Os pesquisadores desenvolveram um sistema que integra diferentes bases de dados, disponíveis em instituições e unidades de conservação dispersas em todo o Brasil, envolvendo dados de conservação de primatas, aves, mamíferos marinhos, tartarugas marinhas do Projeto Tamar, dentre outros.

O Portal disponibiliza mais de 1,5 milhão de registros de observações de espécies animais, ameaçadas ou não de extinção. Pode-se pesquisar no site por espécies, usando o nome científico ou comum, por unidade de conservação, bioma, locais onde espécies foram avistadas etc.

Parte das atividades do grupo da Poli/USP incluiu a capacitação dos pesquisadores e técnicos do ICMBio, envolvendo aproximadamente 80 pessoas de centros de pesquisa e unidades de conservação, de modo que o Instituto poderá fazer a operação e atualização atualização automática dos dados do portal. Outro resultado prático é a publicação de dois livros que tratam da gestão de dados de biodiversidade e de recomendações técnicas que apoiarão tanto o MMA como outras instituições brasileiras na integração e disponibilização de dados de biodiversidade.

Para marcar o lançamento do Portal, haverá um seminário nesta quinta-feira no auditório do MMA, em Brasília, às 15h, com presença prevista da ministra do Meio Ambiente, Isabella Mônica Vieira Teixeira, e do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Celso Pansera. Além da apresentação do Portal, haverá uma mesa-redonda com a participação do professor Pedro Luiz Pizzigatti Corrêa e de representantes do MMA, MCTI, Universidade Federal de Lavras (UFLA) sobre os desafios para potencializar o uso dos dados de biodiversidade na gestão ambiental.

 

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Consumo de processados agrava problemas de nutrição infantil

Segundo palestrantes do FoRC reunidas no minisimpósio “Transição Nutricional no Brasil é preciso promover uma alimentação saudável para evitar uma dupla carga de insegurança alimentar e nutricional.

Duas palestras complementares organizadas pelo FoRC (Food Research Center) abordaram nutrição e segurança alimentar na Amazônia durante o minisimpósio “Transição Nutricional no Brasil” no dia 19 de novembro. O evento, coordenado pelo professor Chris Hoffmann, contou com duas palestrantes: a norte-americana Barbara Piperata, da Universidade Estadual de Ohio e a professora Marly Augusto Cardoso, da Faculdade deSaúde Pública (FSP) daUSP.

Barbara abordou a situação de ribeirinhos residentes na Floresta Nacional de Caxiuanã, no Pará, e o impacto causado pela chegada do Bolsa Família (bem como pelo aumento da circulação de renda oriunda de outras fontes, como aposentadorias, por exemplo). Já Marly apresentou resultados de levantamentos feitos no Acre para falar sobre os desafios da nutrição infantil: ela trabalhou em Acrelândia, com crianças de dez anos ou menos, entre 2007 e 2012.

Segundo a professora da FSP, embora tenha ocorrido uma redução dos índices de anemia na população estudada entre 2003 e 2007 (sobretudo os mais velhos), a deficiência de ferro não caiu. “Trata-se de um problema mundial. Sabemos que entre 66% e 80% da população do globo tem deficiência de ferro. Em nosso País, apesar da melhora, persistem ainda altas taxas de anemia na infância. Além do mais, no Brasil, os avanços na melhoria da saúde infantil não aconteceram de maneira igual em todas as regiões. No Norte, por exemplo, elas foram de ordem menor do que no restante do território” afirmou.

De acordo com Marly, o Brasil precisa endereçar a dupla carga de má nutrição e insegurança alimenta e nutricional, advinda do consumo insuficiente de alimentos naturalmente ricos em vitaminas e minerais aliado à pobreza e à falta de cuidados com a saúde. “A disponibilidade de frutas e verduras no mercado local, em Acrelândia, ainda é pequena se comparada à oferta de produtos industrializados. As crianças consomem muito refrigerante, pois é barato e, teoricamente seguro, já que as mães não confiam na água do local” exemplifica.

Em sua apresentação, ela citou uma análise da POF (Pesquisa de Orçamento Familiar) de 2002 a 2009 mostrando que, de maneira geral, houve aumento de consumo de alimentos processados pelos brasileiros e diminuição do consumo de alimentos tradicionais. Essa transição na dieta é objeto de preocupação de nutricionistas e profissionais de saúde.

Barbara Piperata, em seu estudo de caso com os ribeirinhos paraenses, confirmou essa observação. Ela comparou dados das dietas de sete comunidades, colhidos em 2002 e em 2009. “A maior mudança foi a fonte dos alimentos. Os ribeirinhos começaram a comer muitas coisas compradas: feijão, arroz, bolacha, charque, carne enlatada, mortadela, frango congelado…”

Segundo ela, em 2002, quatro das cinco principais fontes de energia (mandioca, açaí, peixe e outros frutos) eram produzidas localmente. Em 2009, três das cinco principais fontes de energia (feijão, arroz, e bolachas) eram compradas. Em 2002, o açaí, uma fruta local, ficava em segundo lugar entre as fontes mais importantes de carboidratos, seguido por açúcar, café e arroz (todos comprados). Em 2009, com exceção da mandioca, todas as fontes de carboidratos (arroz, café, bolachas, e feijão) eram compradas fora das comunidades.

Para Marly, os desafios para nutrição infantil no Brasil incluem, além da deficiência de micronutrientes, infecções e desnutrição, também o combate à obesidade e outras doenças crônicas não transmissíveis, agravado com o consumo massivo de alimentos processados. Ela salienta a importância dos primeiros dois anos de vida da criança para sua saúde na vida adulta. “Crianças menores de dois anos têm mais vulnerabilidade à deficiência de micronutrientes. Nos primeiros dois anos é preciso prevenir o déficit de crescimento e a subnutrição. Daí por diante, e até a vida adulta, o foco é prevenir o ganho rápido de peso e a obesidade.

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Nutrição se destaca no Prêmio Péter Murányi 2016

Dos 90 trabalhos que concorrem nesta edição, mais de 40 trazem inovações em produto e em estudos sobre os efeitos de substâncias e dietas na saúde humana.

 

A 15ª edição do Prêmio Péter Murányi, cujo tema é “Alimentação” terá 90 trabalhos científicos concorrendo ao prêmio de R$ 200 mil. Os trabalhos foram indicados por 67 instituições, do Brasil e de outros países da América Latina. Parte expressiva dos trabalhos (mais de 40) apresenta inovações em produtos e em estudos sobre os efeitos de determinadas substâncias ou dietas na saúde humana.

“Análise inicial mostra uma concentração de trabalhos nas áreas de nutrição e qualidade de alimentos” afirma Zilda Vera Murányi Kiss, presidente da Fundação Péter Murányi que organiza o prêmio. “Apesar dessa concentração, em sua totalidade os trabalhos contemplam diversas subáreas do conhecimento, o que sempre exige uma Comissão Técnica e Científica multidisciplinar” acrescenta.

Essa Comissão irá selecionar três trabalhos para a escolha do Júri. Os nomes do vencedor e dos outros dois finalistas serão anunciados em fevereiro próximo, na reunião do Júri, em data a ser definida. O vencedor, além de R$ 200 mil, receberá troféu e certificado; já os demais finalistas, diploma e menção honrosa. A cerimônia de premiação será realizada em abril de 2016, em São Paulo. Vencedor e finalistas também serão convidados a apresentar seus trabalhos na 68ª Reunião Anual da SBPC, que ocorrerá em Porto Seguro (BA), em julho do ano que vem.

Desde que foi lançado, em 2002, o Prêmio Péter Murányi já concedeu mais de R$ 2 milhões em prêmios. A cada ano, contempla uma área diferente – saúde, educação, alimentação e desenvolvimento científico e tecnológico – de forma alternada. Os trabalhos, que devem ser inovadores e ter aplicabilidade prática, são indicados por instituições convidadas. “A cada edição, temos conseguido alcançar o objetivo da Fundação, que é valorizar pesquisadores e instituições cujos trabalhos contribuam para melhorar a qualidade de vida das populações dos países em desenvolvimento” finaliza a presidente da entidade.

 

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A melhor rota de ônibus, baseada no conforto dos passageiros

Essa é a proposta de um sistema que está sendo desenvolvido na Poli-USP.

Um sistema que permitirá a escolha da melhor rota de ônibus considerando, além do tempo e custo, o conforto do passageiro durante a viagem está sendo desenvolvido pelo engenheiro de computação Bruno Pimentel Machado, aluno de mestrado do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais (PCS) da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP).

Segundo o pesquisador, o sistema proposto é diferente do que já existe no site SPTrans, por exemplo. “Além de levar em conta as rotas, a disponibilidade de linhas para um trajeto, o sistema fará a seleção baseado também na sensação geral de conforto do passageiro” explica Machado. Ou seja, ele poderá indicar ao usuário uma rota na qual o ônibus não esteja lotado, ou uma opção na qual o veículo produza pouco barulho ou não sacuda demais, ou que esteja mais frio em dias de calor etc.

No mestrado, o pesquisador montou um algoritmo que trabalha com esse tipo de informação e permite ao usuário tomar uma decisão orientada sobre a percepção do que é melhor para ele. “É como o Waze, mas levando em conta fatores mais pessoais” explica André Hirakawa, professor que está orientando Machado na pesquisa.

O estudo usa alguns recursos de Matemática ou Lógica Nebulosa, método que permite aos pesquisadores lidar com incertezas e fatores menos objetivos ou quantificáveis – por exemplo, para uma pessoa um ônibus pode ser barulhento ou quente e para outra não. Machado criou, então, perfis. O Perfil A, por exemplo, vai dizer que velocidade é mais importante do que barulho. Um Perfil B vai pensar que conforto dos assentos é mais importante do que temperatura. “Em cima desses perfis, atribuí pesos para essas diferentes características para definir qual a melhor opção a ser sinalizada para o usuário quando ele consultar o sistema” detalha.

Cidades inteligentes – Esse sistema foi concebido para ser operado em um contexto de uma cidade inteligente, onde as informações sobre os trajetos e ônibus (lotação, tempo de viagem, percurso, temperatura interna, ruído dentro do veículo, entre outros) são colhidos por sensores e estão disponíveis para que o sistema os acesse em tempo real, oferecendo ao usuário as melhores opções para naquele momento (o ônibus mais vazio, o menos barulhento, as possibilidades de baldeações para trem, metrô ou outro ônibus etc).

“Nesse momento, a pesquisa está mais focada no desenvolvimento do conceito, da lógica que vai permitir que o usuário consiga demonstrar a sua preferência e receber sugestões. Futuramente, o sistema pode ser usado para criar aplicativos” destaca o professor Hirakawa.

A pesquisa está quase concluída. No momento, Machado está fazendo testes para consolidar o modelo. “Quando se cria um modelo, é preciso estressá-lo, ou seja, testá-lo para várias condições para comprovar que ele realmente representa de forma adequada o processo como um todo” explica o pesquisador. Ele criou várias situações extremas – como manter o ônibus muito tempo parado num ponto do trajeto, ou o ônibus estar sempre lotado – para ver se o modelo realmente vai trazer como resultado o que o usuário precisa.

Ele também utiliza dados de pesquisa sobre o trânsito na Suécia, de outras pesquisas correlatas e alguns dados da SPTrans para fazer os testes dos modelos. “Planejamos enviar os resultados do projeto para a SPTrans, que poderá utilizar o sistema para desenvolver um aplicativo no futuro” conclui Hirakawa.

 

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Bolsa família não impede situação de insegurança alimentar

FoRC promove palestra de pesquisadora da Universidade Estadual de Ohio sobre impacto do Bolsa Família com ribeirinhos da Amazônia; dados indicam que ingestão de calorias diminuiu e insegurança alimentar aumentou

A Floresta Nacional de Caxiuanã, criada em 1961, foi a primeira das Flonas brasileiras. As Flonas são um tipo de unidade de conserveção de uso sustentável, geridas pela União.Os poucos habitantes remanescentes da debandada promovida quando o local passou a ser Unidade de Conservação (um número que varia entre 350 e 500 pessoas), vivem em grande isolamento, em sete comunidades com poucas casas. Foi ali que, em 2002, a pesquisadora norte-americana Barbara Piperata, da Universidade Estadual de Ohio, desembarcou para um estudo de campo de dois anos sobre amamentação. Entre 2007 e 2008, ao voltar para dividir os dados com os ribeirinhos, Barbara notou uma grande mudança de hábitos, bem como de padrões alimentares, ocasionada, principalmente, pelo acesso ao programa Bolsa Família, do governo federal.
“Eles estavam comendo muito mais arroz, feijão e biscoito. Quando morei com eles, em 2002, havia pouco consumo de importados e 78% do consumo da dieta era de produtos locais: peixe, farinha, frutas, com destaque para o açaí, caça… O que vinha de fora era só açúcar, sal, café e óleo de soja” lembra Barbara. Ela então resolveu realizar um novo levantamento, cujo foco fossem as mudanças ocasionadas pelo acesso ao benefício. E em 2009 voltou ao local. São os dados desse trabalho que ela apresentará em um simpósio, no dia 19, organizado pelo Centro de Pesquisa em Alimentos (FoRC – Food Research Center).
“Fiz um questionário sobre a experiência com o Bolsa Família e apliquei em mais de 70 casas. Quanto recebem, como gastam, quem vai buscar e onde, quanto gastam para buscar o dinheiro etc. Também trabalhei com a EBIA (Escala Brasileira de Insegurança Alimentar). Apliquei ainda um questionário sobre a economia domiciliar, e em 52 dessas casas fiz uma investigação minuciosa da dieta: medi o consumo alimentar diário da mulher e de um filho entre 3 e 16 anos, escolhido aleatoriamente” diz a bióloga, doutora em antropologia.
Os resultados são no mínimo surpreendentes. “Notei, como era de se esperar, um aumento no consumo de carboidratos refinados e carnes gordas. Entretanto, ao contrário do previsto, detectei um declínio de ingestão energética e da adequação da dieta. Ou seja: as pessoas estavam ingerindo menos calorias e tanto a quantidade quanto a variedade de comida eram mais altas no momento do recebimento do benefício, declinando ao longo dos 30 dias do mês. Segundo ela, a maior parte do benefício é usada para compra de alimentos. “Em 2002 as mulheres ingeriam algo próximo a 90% das calorias de que necessitavam, enquanto em 2009 apenas cerca de 68%” afirma Barbara.
Em 2002, segundo Barbara, 100% das casas cultivavam mandioca, principalmente para fabricar farinha, a base da alimentação do ribeirinho amazônico. Em 2009, apenas 63% das casas cultivava o tubérculo. “A mudança mais drástica é que as pessoas estavam parando de fazer roça, muitas casas pararam de fazer farinha, embora a mandioca continue sendo a maior fonte de energia e carboidrato dessas populações” diagnostica Barbara.
Barbara lembra ainda o contexto das mudanças observadas. “A escola local só oferece ensino até o oitavo ano, por isso, muitos jovens estão em Portel, cidade mais próxima, para estudar. Assim, os pais perdem braços para a lavoura. Além disso, a percepção do valor monetário de seu trabalho, adquirida na cidade, faz com que esses jovens, ao voltarem para as comunidades, solicitem dinheiro e presentes para trabalhar na lavoura dos pais e vizinhos. Algo que se fazia em regime de mutirão há alguns anos” observa a pesquisadora.
Os dados de 2009 mostram que a maior mudança foi a fonte dos alimentos. Os ribeirinhos começaram a comer muitas coisas compradas: feijão, arroz, bolacha, charque, carne enlatada, mortadela, frango congelado… Em 2002, quatro das cinco principais fontes de energia (mandioca, açaí, peixe e outros frutos) eram produzidas localmente. Em 2009, três das cinco principais fontes de energia (feijão, arroz, e bolachas) eram compradas. Em 2002, o açaí, uma fruta local, ficava em segundo lugar entre as fontes mais importantes de carboidratos, seguido por açúcar, café e arroz (todos comprados). Em 2009, com exceção da mandioca, todas as fontes de carboidratos (arroz, café, bolachas, e feijão) eram compradas fora das comunidades.
“É visível que a mudança da fonte primordial de alimentos – dos locais para os importados – concorreu para aumentar o padrão de insegurança alimentar nas comunidades” conclui a pesquisadora. “Notei em 2009 uma preocupação excessiva com a estocagem de comida, com a quantidade disponível. Porque comida, agora, é o que vem de fora. Os homens adultos relataram que só quando acabam as provisões trazidas da cidade é que saem para caçar ou pescar.

Serviço: Mini simpósio Transição Nutricional no Brasil.
Data e hora: 19 de novembro, a partir das 8h30.
Local: Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP (Av. Professor Lineu Prestes, 580, bloco 13ª, 1º andar – Cidade Universitária – São Paulo)
Inscrições gratuitas pelo e-mail forc@usp.br

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Executivo da SAAB fala para profissionais na área de automação

Lançado em maio, WASP deverá ter 11 anos de duração e pretende

formar 100 PhDs; programa convidará pesquisadores estrangeiros.

 

Mais de dez palestrantes, entre brasileiros e estrangeiros, estarão reunidos no 3º

Workshop Brasileiro-Sueco em Aeronáutica e Defesa, que acontece dia 12 de novembro

no parque Tecnológico de São José dos Campos. Organizado pelo Centro de Pesquisa e

Inovação Sueco Brasileiro (CISB), e o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), o

workshop conta com a participação dos governos sueco e brasileiro, além de

pesquisadores, representantes de universidades brasileiras e suecas, e de indústrias.

Um dos convidados do dia é Gunnar Holmberg, executivo da empresa sueca

SAAB, que vem ao Brasil falar sobre um programa de pesquisa e formação para

engenheiros e profissionais de tecnologia da informação iniciado em maio deste ano na

Suécia, que reúne universidades e indústrias: o WASP (Wallenberg Autonomous

Systems Program).

Trata-se de um programa focado na pesquisa básica, educação, formação e

recrutamento na área de desenvolvimento de software e sistemas autônomos.

Hospedado na Linköping University, o WASP está sendo executado em parceria com

outras três instituições de ensino superior: Chalmers University of Technology, Royal

Institute of Technology e Lund University. O investimento total é de 1,8 bilhão de

coroas suecas, (por volta de 450 milhões de reais) dos quais 1,3 bilhão estão sendo

fornecidos pela Fundação Knut e Alice Wallenberg e os 500 milhões restantes pelas

universidades e empresas privadas participantes do programa.

“O WASP também envolverá equipes de pesquisa em outras instituições de

ensino superior, e admitiremos pesquisadores de outros países mediante convite”

adianta o coordenador do WASP na SAAB, Gunnar Holmberg. Ele afirma que a partir

de 2016 o programa estará implementado e apto a receber pesquisadores estrangeiros.

“Os brasileiros são naturalmente muito interessantes como ampliação do intercâmbio

maior entre ambientes de pesquisa e inovação no âmbito da relação entre Brasil e

Suécia. Por isso, eventos como os workshops do CISB são muito importantes para que

consigamos identificar os pesquisadores certos. Mas estamos apenas no começo e

precisamos trabalhar para fazer essa troca acontecer.

Segundo Holmberg, os projetos iniciais incluem pesquisas nas áreas de sistemas

de transporte automático, nuvens autônomas, desenvolvimento de tecnologias e

metodologias de interação e comunicação com futuros sistemas inteligentes,

desenvolvimento de sistemas autônomos voltados para dados, localização e

dimensionamento em sistemas autônomos e interação e comunicação com agentes

“O WASP está programado para ter 11 anos de duração e um dos resultados

mais importantes é estabelecer novo patamar de pesquisadores e engenheiros na área de

automação” diz o executivo, lembrando que a meta é formar 100 PhDs durante esse

tempo. Ainda de acordo com Holmberg, o papel da indústria no programa é muito

“A indústria, além de prover pesquisadores em nível de PhD que atuam no

mercado, também contribuirá com situações do ‘mundo real’ para que estes

pesquisadores se debrucem sobre temas relevantes, ou seja: cenários reais para as

demonstrações e testes dos softwares desenvolvidos nas universidades” explica,

lembrando que a SAAB tem cinco pesquisadores em nível de PhD participando do WASP.

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Poli/USP é sede da 38ª Olimpíada Paulista de Matemática

Etapa final acontece dia 7 de novembro. Haverá também atividade de divulgação dos cursos de Engenharia da Poli junto aos participantes da competição.

No próximo sábado (07/11), será realizada na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP) a última fase da 32ª edição da Olimpíada Paulista de Matemática. Um total de 455 alunos do ensino fundamental e médio de escolas do Estado de São Paulo participará da competição nessa fase. A primeira fase contou com 30 mil alunos.

A Olimpíada será realizada nos prédios do Biênio e da Engenharia de Produção, e começará às 8h. Uma comissão de 40 professores irá corrigir as provas no mesmo dia e o anúncio dos resultados e cerimônia de premiação ocorrerão no Parlatino do Memorial da América Latina, também no dia 7 de novembro, às 16h30, aproveitando que os alunos que estudam no interior de São Paulo ainda estarão na cidade. Serão premiados os 18 melhores alunos de cada nível, divididos em escolas particulares e escolas públicas, que receberão três medalhas de ouro, seis de prata e nove de bronze.

A prova terá cinco questões dissertativas. “As questões que apresentamos são baseadas nos programas curriculares das escolas, mas propomos exercícios desafiadores, diferentes, intrigantes e divertidos, que levam os alunos a aprofundarem seus estudos e despertam o interesse deles pela Matemática e suas diversas áreas” destaca o preside das Olimpíadas, professor Pablo Ganassim.

Atraindo os melhores – Durante a Olimpíada, a Escola Politécnica terá uma equipe de seis pessoas, funcionários do Escritório de Relacionamento e alunos da Poli, para fazer a divulgação dos cursos de Engenharia disponíveis na USP, dos programas da Universidade, como o de permanência estudantil, e de programas da própria Poli, como o de intercâmbio.

“Trata-se de um público de interesse da Poli. São estudantes do ensino médio, e em final de Olimpíada, ou seja, são os melhores estudantes em Matemática, uma área das Ciências Exatas compreendida como pré-requisito para aqueles que têm predisposição para a Engenharia” destaca Júnior Rocha, do Escritório de Relacionamento da Poli. “Vamos também aproveitar o tempo que antecede a prova para colocar os alunos da Poli em contato com esses estudantes, para propiciar a troca de experiências e apresentar as diversas modalidades de Engenharia que temos aqui” acrescenta.

Os participantes da Olimpíada também receberão material impresso sobre a Escola, elaborado especialmente para o público do ensino fundamental e médio, que ainda está procurando definir qual carreira seguirá no ensino superior.

 

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Poli/USP planeja novo curso no campus de Santos

Proposta é formar um engenheiro globalizado, capaz de lidar com problemas complexos e enfrentar os grandes desafios deste século.

A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP), em parceria com o Groupe das Écoles Centrales, da França, planeja para 2018 iniciar um novo curso de Engenharia no campus da USP em Santos, no litoral paulista. Diferentemente dos demais, o novo curso da Poli terá uma abordagem mais generalista com o objetivo de formar profissionais globalizados, capazes de lidar com problemas complexos e enfrentar os principais desafios da Engenharia deste século.

O novo curso será ministrado em três línguas – Português, Francês e Inglês – por docentes da Escola Politécnica e do Groupe das Écoles Centrales, compostos por cinco escolas: a Centrale Supélec em Paris, e as École Centrales de Lille, de Lyon, de Marseille e de Nantes. “Trata-se de um grupo que lidera a educação superior na França e que tem um longo histórico de colaboração com a Escola Politécnica” destaca o diretor da Poli, prof. José Roberto Castilho Piqueira.

As tratativas para a parceria tiveram início em setembro, quando a Poli recebeu a visita de uma delegação do grupo francês e assinou uma carta de intenções. “A assinatura da carta foi o primeiro passo para a instalação do novo curso em Santos, cidade considerada estratégica não só para o desenvolvimento da economia paulista na próxima década, como também para a pesquisa e o ensino de graduação e pós-graduação” afirma Piqueira.

Uma comissão de docentes e funcionários está encarregada de preparar um plano pedagógico inovador para o novo curso, que integrará a experiência brasileira e a francesa no ensino da Engenharia. O curso, como os demais da Poli, será gratuito. O acesso será pelo vestibular.

Poli em Santos – Desde 2012, a Escola Politécnica mantém em Santos um curso de graduação em Engenharia de Petróleo. Anualmente, são oferecidas 50 vagas para o curso. A Poli também tem investido em infraestrutura laboratorial para fomentar trabalhos de pesquisa e já se prepara para oferecer, num futuro próximo, cursos de pós-graduação.

 

 

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Poli amplia Laboratório de Caracterização Tecnológica

Depois de reforma e aquisição de novos equipamentos, laboratório amplia capacitação analítica à disposição da academia e do setor privado.

A Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP) apresentará nesta quarta-feira (4/11), às 17h, as novas instalações do Laboratório de Caracterização Tecnológica (LCT), uma facilidade multiusuário que pode ser usada tanto por pesquisadores da academia como de centros de P&D privados. O LCT conta com equipamentos de última geração, essenciais na pesquisa e no controle de processos da indústria da mineração, além da caracterização de materiais.

O LCT opera no estado da arte em diversas técnicas de caracterização de materiais. A microtomografia de raios X de alta resolução apresenta a capacidade única de gerar imagens tridimensionais, possibilitando a observação da estrutura interna de amostras de materiais polifásicos, em análises não invasivas, com aplicações em estudos de recursos naturais, ciência e engenharia de materiais, ciências biológicas e controle de qualidade (QA/QC).

O microtomógrafo Versa XRadia 510, marca Zeiss, foi adquirido através de projeto FINEP (MCT/FINEP/CT-INFRA – PROINFRA, investimento da ordem de US$ 1 milhão) como parte da proposta da Pró Reitoria de Pesquisa, na gestão do professor Marco Antônio Zago, hoje reitor da USP, de consolidação de core facilities em técnicas de caracterização de materiais, de forma a atender os vários grupos de pesquisa da USP que desenvolvem estudos de materiais para aplicações diversas visando a inovação e a sustentabilidade.

Na microtomografia, após a coleta de um conjunto de imagens, é efetuada a reconstrução tomográfica em 3D da seção transversal irradiada, obtendo-se dados relativos à morfologia e feições texturais, composição quantitativa de fases, distribuição de tamanho de feições/partículas/fases, área interfacial, presença e distribuição de tamanho de poros e suas inter-relações.

Os equipamentos de difração de raios X (D8 Endeavor) e de espectrometria de fluorescência de raios X (S8 Tiger), da marca Bruker AXS, são de última geração e custam em torno de US$ 500 mil, tendo sido alocados no laboratório mediante parceria com a empresa Oregon Labware, representante comercial da Bruker ASX para o setor mineral.

O LCT conta ainda com microscópios eletrônicos de varredura (MEV) com sistemas de microanálise química por EDS e WDS, microscopia confocal e óptica, entre outros. Recentemente, incorporou a tecnologia de espectrometria de absorção atômica, prevendo-se a chegada até o final do ano de um espectrômetro ICP-OES, também para a realização de análises químicas. “Em técnicas de caracterização, temos tomografia e MEV’s de última geração que, combinados adequadamente, permitem um grande refinamento no estudo das características de materiais polifásicos” destaca o coordenador do LCT, o professor Henrique Kahn.

Com a reforma e ampliação, o LCT pretende voltar a oferecer treinamentos e cursos de capacitação nas técnicas de que dispõe. Também está trabalhando no desenvolvimento de um software próprio para gestão de laboratório (LIMS), como parte das medidas de controle de qualidade (QA/QC) que estão sendo ampliadas.

A apresentação das novas instalações contará com as presenças do reitor da USP, Marco Antônio Zago; do vice-reitor, Vahan Agopyan; do pró-reitor de Pesquisa da USP, José Eduardo Krieger; do diretor da Escola Politécnica, José Roberto Castilho Piqueira; do chefe do Departamento de Engenharia de Minas e de Petróleo da Poli, Luís Enrique Sanchez.

Pesquisas de ponta – Além de ser base para inúmeras pesquisas da Poli, de unidades da USP e outras universidades, o LCT atua como prestador de serviços para o setor privado, em projetos de pesquisa em cooperação com empresas e atividades de extensão. Opera essencialmente com recursos próprios, obtidos das parcerias que estabelece em projetos de pesquisa e serviços analíticos que realiza para empresas e comunidade acadêmica (custos subsidiados). Além de empresas que atuam no setor mineral, como Vale, Votorantim, Anglo American, Samarco, CBMM, Yamana, Kinross, Magnesita, Imerys, Saint Gobain, Galvani, Alcoa e Mineração Rio do Norte, o LCT atende a outros setores produtivos, como metalúrgico, químico e farmacêutico, materiais odontológicos, reciclagem e meio-ambiente.

“Essencialmente atuamos na caracterização de materiais inorgânicos com foco principal em matérias primas e recursos minerais. As técnicas de caracterização disponíveis podem também serem aplicadas em estudos de materiais metálicos, cerâmicos, cimentícios, vidros, poliméricos, etc.” As análises, segundo Kahn, não precisam estar vinculadas à execução de um projeto de pesquisa; podem ser solicitadas como serviços analíticos.

Para utilizar as facilidades do LCT, é preciso acessar o site oficial do Laboratório (http://www.lct.poli.usp.br/), onde constam os procedimentos e formulários básicos. Posteriormente são agendadas reuniões para discutir com mais detalhes as demandas, valores e/ou eventuais contrapartidas.

 

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Por Acadêmica
Aluno da Poli propõe gaseificação para Itanhaém

Projeto pode ser replicado em outras cidades litorâneas e de pequeno porte. Tecnologia usa lixo para produzir energia elétrica.

O engenheiro ambiental Luiz Henrique Targa Gonçalves Miranda, aluno do Programa de Educação Continuada da Escola Politécnica (PECE/Poli) da USP, desenvolveu um projeto de pesquisa no qual propõe a tecnologia da gaseificação de resíduos sólidos para o município de Itanhaém, localizado no litoral sul de São Paulo. O projeto acaba de conquistar o primeiro lugar no concurso de monografias Eco_Lógicas, promovido pela Organização Latino-Americana de Energia (Olade).

A Olade é entidade internacional, criada em 1973, e que reúne 27 países da América Latina e Caribe, incluindo o Brasil, e pelo Instituto Ideal. O trabalho vencedor foi desenvolvido sob orientação da professora doutora do PECE, Suani Teixeira Coelho, do Programa de Pós-Graduação em Energia do Instituto de Energia e Ambiente da USP (PPGE-IEE), do Programa Integrado de Pós-Graduação (PIPG) em Bioenergia (PIPG/Bioenergia/USP/Unicamp/Unesp), e coordenadora do Grupo de Pesquisa em Bioenergia/GBIO, antigo Cenbio.

No projeto, que conquistou o primeiro lugar na categoria eficiência energética do Eco_Lógicas, Miranda estudou o problema da destinação dos resíduos sólidos na cidade de Itanhaém, considerado de pequeno/médio porte. O município envia seu resíduo urbano para um aterro sanitário em Mauá, o que acarreta uma viagem de 110 quilômetros de distância, gerando gastos para a prefeitura.

O Brasil tem, hoje, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que obriga as cidades a encontrar uma solução para a destinação final do lixo que não seja o aterro, e a eliminar os lixões. “Na minha pesquisa, eu avaliei a cidade, quanto ela gera de resíduos e quais as tecnologias disponíveis para aproveitar o resíduo urbano para gerar energia, encontrando solução para dois problemas que as cidades enfrentam hoje – o que fazer com o resíduo e como encontrar fontes alternativas de geração de energia” explica.

Para escolher a melhor alternativa para o aproveitamento energético do lixo em Itanhaém, Miranda pesquisou o tipo de resíduos e a quantidade de lixo gerado diariamente na cidade. A maior parte é de matéria orgânica (75% do total). A geração per capta diária do município está em torno de 0,80 kg de resíduos. Diante desse perfil, Miranda apresentou como solução mais adequada para o município de Itanhaém o uso da tecnologia de gaseificação.

Gaseificadores são reatores capazes de transformar um resíduo sólido em um gás combustível, por meio de várias reações termoquímicas. Há vários tipos deles. Em seu projeto, Miranda propõe o uso de gaseificadores de leito fluidizado circulante, no qual o ar atmosférico contendo oxigênio é insuflado por baixo da tela da câmara de combustão e o insumo a ser gaseificado (resíduo, biomassa, carvão etc) é inserido por um sistema de válvulas e rosca-sem-fim na região superior a da entrada de ar. Este mistura de combustível e areia presente no leito fica em suspensão dentro do equipamento lembrando, assim, um fluido. Essa tecnologia é vantajosa porque é possível usar gaseificadores de pequeno porte, ideal para locais que produzem quantidades pequenas de lixo.

Pela sua proposta, a gaseificação do lixo de Itanhaém geraria energia elétrica capaz de abastecer 4.730 residências. Se for considerada a existência de quatro pessoas por residência, atenderia 18.935 moradores do município, para o ano de 2014. Esse valor representa 22% da população da cidade.

“Esse estudo poderia ser replicado para diversos outros municípios ou até servir de base para a elaboração do plano de gestão, já que, seguindo esta classificação, dos 5.561 municípios existentes no Brasil, 5.037 são considerados como pequeno porte” destacou ele na monografia que conquistou o prêmio Eco_Lógicas.

 

O concurso

Lançado em 2008, o Eco_lógicas é um incentivo para a pesquisa no setor energético. Além de Miranda, também foi premiada a estudante mexicana Dulce Cristal Becerra Paniagua, na categoria energias renováveis. Ela desenvolveu um sistema autônomo de emergência móvel para purificar água, sob a orientação do professor Joel Pantoja Enríquez, na Universidade de Ciências e Artes de Chiapas. Os dois estudantes vencedores receberam um prêmio de US$ 15 mil e seus professores-orientadores de US$ 10 mil cada um.

O concurso reuniu trabalhos de nove países: Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Guatemala, México, Paraguai, Peru e Uruguai. Entre os critérios dos avaliadores na seleção dos trabalhos, foram considerados método, relevância do tema e qualidade da redação. As monografias serão reunidas em livros em português e espanhol, distribuídos a bibliotecas de todo o território latino-americano e caribenho.

 

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