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Pesquisadores desenvolvem suco de uva com mais resveratrol

Substância, que até então só era encontrada em maiores quantidades no vinho, pode prevenir doenças.

Os benefícios do resveratrol, substância presente no vinho, já são amplamente conhecidos: prevenção de doenças coronárias, redução dos níveis de colesterol ruim (LDL); ação anti-inflamatória e fortalecimento do sistema muscular. Já no suco de uva, a concentração de resveratrol é muito menor. Um estudo realizado no Centro de Pesquisa em Alimentos (Food Research Center – FoRC), ainda em andamento, pode trazer uma solução para esse problema: um suco de uva integral com 70% mais resveratrol do que os sucos comuns.

A pesquisadora Laís Moro, doutoranda em Ciência dos Alimentos na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP), desenvolveu uma técnica para estimular a produção de resveratrol naturalmente nas plantas. “Os resultados preliminares indicam que, com o tratamento, houve um aumento de 70% desse composto no suco – que se manteve mesmo após armazenamento de seis meses”, explica. O estudo foi coordenado pelo professor Eduardo Purgatto, pesquisador do FoRC.

Os testes foram realizados no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais com duas variedades de uva, totalizando 240 litros por região, sendo que parte das videiras era tratada e a outra não. Além do resveratrol, os pesquisadores observaram um aumento significativo de outras substâncias, como antocianinas e flavonoides, que também são aliadas na promoção da saúde.

Segundo Laís Moro, o próximo passo é avaliar se os resultados se reproduzem em um segundo ano de estudo, para comprovar o potencial do tratamento.

Diferencial – A pesquisadora explica que, para ingerir a mesma quantidade de resveratrol de um copo de suco ou vinho apenas consumindo as uvas, seria necessário consumir uma grande quantidade, incluindo a casca e a semente. São essas partes que possuem a maior concentração da substância, mas nem sempre são consumidas.

O processo de fabricação do vinho, que envolve fermentação, favorece a extração de resveratrol e de outros compostos bioativos da uva, mas nem todos podem consumi-lo. “O novo suco é direcionado a crianças, idosos e pessoas que não podem ou não gostam de consumir vinho. Seria uma alternativa que une o prazer do sabor aos componentes terapêuticos”.

Os efeitos benéficos da substância também têm sido analisados por outras perspectivas. Um estudo recentemente publicado na revista Frontiers in Physiology, realizado por pesquisadores de Harvard em parceria com a NASA, demonstrou que o resveratrol é capaz de reduzir a perda de massa muscular – problema enfrentado por astronautas quando estão em ambientes de baixa gravidade.

Os testes foram realizados em animais, divididos em grupos que receberam ou não o tratamento com resveratrol. Os pesquisadores simularam uma microgravidade nas gaiolas e mediram o diâmetro da tíbia e a força da pata desses animais, antes e depois do teste. No final, o grupo que foi submetido à microgravidade e que recebeu resveratrol tinha o músculo preservado e com mais força em relação àquele que não recebeu o tratamento. Embora ainda seja um estudo preliminar, os resultados promissores indicam novas possibilidades de aplicação do resveratrol.

 

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RCGI lança mapas interativos com o potencial  de geração de energia do biogás em SP

Dividido em três grandes fontes para obtenção do gás – resíduos urbanos, resíduos de criação animal e setor sucroalcooleiro – o conjunto de mapas é uma ferramenta valiosa para o planejamento energético local.

 

O Fapesp-Shell-Research Center for Gas Innovation (RCGI) lançou um conjunto inédito de mapas interativos, disponível na internet, com o tema Biogás, Biometano e Potência Elétrica em São Paulo. Os mapas estimam o potencial de produção de biogás e biometano no Estado, e o potencial elétrico a partir do biogás, por município, de acordo com três grandes fontes de obtenção do gás: resíduos de criação animal, resíduos urbanos e setor sucroalcooleiro.

Os dados mostram que o potencial de energia elétrica gerada anualmente a partir de biogás em São Paulo é de 36.197 GWh, o que corresponde a 93% do consumo residencial no estado. O potencial anual de biometano poderia exceder em 3,87 bilhões de Nm3 o volume anual de gás natural comercializado ou substituir 72% do diesel comercializado.

“O setor sucroalcooleiro é o que apresenta o maior potencial de aproveitamento de biogás. Em dez municípios com maior concentração de resíduos, o potencial de biogás é de mais de 3 bilhões Nm3 na safra. Se fossem transformados em biometano, isso corresponderia a 65% do consumo de gás natural no estado. Ou 32.000 GWh, se fossem aproveitados na geração de eletricidade com biogás”, afirma a coordenadora do projeto, Suani Coelho, professora do Instituto de Energia e Ambiente da USP e integrante do RCGI.

Os mapas foram elaborados com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), da Associação Brasileira do Biogás (Abiogás), do Datagro, do Centro Internacional de Energias Renováveis (Cibiogás), da Sabesp e da Gasbrasiliano. Podem ser acessados em português ou inglês, e a manipulação deles é fácil e intuitiva.

Dados abrangentes – Além de informações relacionadas ao potencial de biogás e biometano no Estado, é possível saber onde estão os gasodutos, as linhas de transmissão de energia elétrica, as unidades de conservação, os pontos de entrega de gás existentes, entre outras informações importantes para o planejamento energético dos municípios.

O potencial total das três grandes fontes de obtenção do gás também se desdobra em outros mapas mais específicos. Por exemplo: o grupo “resíduos de criação animal” tem mapas específicos para suinocultura, bovinocultura e avicultura. O grupo “resíduos urbanos” também tem mapas distintos para o potencial dos aterros sanitários e o das estações de tratamento de esgoto. “E o setor sucroalcooleiro traz um mapa para a totalidade dos resíduos – vinhaça, torta de filtro e palha de cana –, e um somente para a vinhaça, que representa grande parte do potencial de obtenção de biogás, biometano e de geração de energia elétrica em São Paulo”, explica a professora Suani.

O projeto é fruto de longo trabalho da professora Suani na área, cujo primeiro fruto foi a publicação, em 2009, do Atlas de Bioenergia do Brasil, com informações sobre o potencial de aproveitamento de biomassa no Brasil por município e tipo de biomassa. O avanço para mapas interativos, com diversas camadas de informações, teve o suporte do RCGI, no qual a professora Suani é líder de um dos projetos. Além dela, integram a equipe do projeto atual as engenheiras Marilin Mariano dos Santos e Vanessa Pecora Garcilasso, com a colaboração do mestrando, Diego Bonfim de Souza.

Novas informações – O grupo de pesquisa pretende inserir novas bases de dados nos mapas. “Estamos realizando simulações com relação à injeção do biometano na rede para saber, por exemplo, qual seria o impacto na tarifa para os consumidores, o quanto se evitaria de emissões de gases de efeito estufa. Também estamos simulando qual seria o impacto da substituição do diesel por biometano na indústria sucroalcooleira.”, conta a professora.

Também está em andamento um projeto P&D com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Companhia Energética de São Paulo (Cesp). “O objetivo é elaborar o Atlas de Bioenergia para São Paulo, que não será focado apenas em biogás e biometano, mas também em biomassa sólida: bagaço de cana, resíduo florestal etc. Será elaborado um mapa interativo com os potenciais de geração de eletricidade, que deverá ser lançado no início de 2020.”

 

Os mapas interativos estão disponíveis em português e inglês.

 

Sobre o RCGI: O FAPESP SHELL Research Centre for Gas Innovation (RCGI) é um centro de pesquisa financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e pela Shell. Conta com mais de 320 pesquisadores que atuam em 46 projetos de pesquisa, divididos em cinco programas: Engenharia; Físico/Química; Políticas de Energia e Economia; Abatimento de CO2; e Geofísica. O Centro desenvolve estudos avançados no uso sustentável do gás natural, biogás, hidrogénio, gestão, transporte, armazenamento e uso de CO2. Saiba mais em: https://www.rcgi.poli.usp.br/pt-br/

 

 

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Surto do sarampo está relacionado à queda da produção de anticorpos e possíveis mutações do vírus

 O virologista Edison Luiz Durigon, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, esclarece dúvidas sobre a vacina contra o sarampo e explica como seu laboratório tem trabalhado no diagnóstico e na compreensão do recente surto da doença.

 

De acordo com o último boletim do Ministério da Saúde, divulgado no dia 6 de agosto, o Brasil teve 907 casos confirmados de sarampo entre maio e agosto deste ano. Desse total, 810 (90%) indivíduos residem no município de São Paulo. Mas por que uma doença que era considerada erradicada desde 2016 voltou? Segundo o virologista Edison Luiz Durigon, pesquisador do Laboratório de Virologia Clínica e Molecular do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), a explicação para este surto pode estar relacionada à mutação do vírus: o distanciamento genético da cepa selvagem circulante nesse surto em relação à cepa contida na vacina.

Ele explica que o vírus do sarampo, embora possua um único sorotipo, está dividido em oito genótipos conhecidos (A, B, C, D, E, F, G e H) e 24 sub-genótipos. “A vacina foi feita com o tipo A e o surto que estamos enfrentando hoje é do tipo D-8. A vacina ainda é efetiva contra o tipo atual, mas não 100%: protege contra a doença, mas o indivíduo ainda pode contrair e transmitir o vírus”. Isso significa que, embora o indivíduo vacinado seja capaz de eliminar o vírus e não ter sintomas, ele pode transmiti-lo a alguém que não foi vacinado, contribuindo para o avanço do surto. Apenas aqueles que já tiveram a doença, ou seja, tiveram o vírus selvagem em seu organismo, estão totalmente protegidos.

Outra razão que explica o retorno da doença é a queda da produção de anticorpos, que começa a ocorrer 15 anos após a vacinação e torna mais difícil enfrentar o vírus que sofreu mutação. “Ao tomar a vacina, o indivíduo desenvolve uma memória imunológica: mesmo que os anticorpos caiam com o tempo, o organismo reconhece o vírus e produz mais anticorpos sozinho. Mas, por se tratar de um vírus diferente, essa produção não acontece a tempo, antes do vírus se replicar e provocar a doença”, explica Durigon. Por isso é importante tomar a dose de reforço: com mais anticorpos, o organismo estará mais preparado para combater o novo vírus.

Quem deve se vacinar – Todas as pessoas que não possuem registro da vacina na carteira de vacinação devem ser imunizadas. Além disso, é recomendado que pessoas com idades entre 15 e 29 anos (grupo de risco) tomem duas doses da vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), com intervalo de 30 dias, mesmo que já tenham tomado quando crianças. Dos 30 aos 49 anos, a vacina é aplicada em uma dose. “Calcula-se que acima dos 45 anos todos já tiveram sarampo, por ser uma doença muito comum. No entanto, aqueles que não tiveram precisam se vacinar”, afirma o pesquisador.

Como a vacina contém o vírus atenuado (enfraquecido, mas vivo), gestantes e pessoas com imunidade comprometida não devem tomar a vacinar. Inclui-se nessa categoria pessoas que fazem uso de medicamentos imunossupressores, como quimioterápicos e corticoides.

O sarampo é uma doença altamente contagiosa que provoca sintomas como manchas vermelhas no corpo, febre alta, dor de cabeça, tosse e conjuntivite. As complicações mais comuns do sarampo são pneumonia e, em casos raros, doenças neurológicas.

Pesquisa – O laboratório do professor Edison Luiz Durigon recebe amostras de sangue, urina e saliva de pacientes com suspeita de sarampo para analisar e realizar o diagnóstico da doença gratuitamente. As amostras vêm de vários hospitais da cidade de São Paulo, como o Hospital Universitário da USP, a Santa Casa de Misericórdia, o Hospital Infantil Cândido Fontoura, o Hospital São Luís Gonzaga, entre outros. O professor Durigon ressalta que todas as amostras também são encaminhadas diretamente dos hospitais para o Instituto Adolfo Lutz.

Em troca, Durigon e sua equipe têm acesso a todos os dados clínicos, que estão sendo utilizados no projeto Neusa (Neutralização de Sarampo) para descobrir o quanto os anticorpos do paciente que tomou a vacina o protegem contra o vírus do surto. “Isolamos os vírus de cada paciente para verificar a sua variabilidade genética e ver o quanto eles estão mudando e qual dos genes sofre mais mutações. A mesma amostra de vírus D-8 pode sofrer mutações de uma pessoa para outra”.

 

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Doenças crônicas podem ter origem no desenvolvimento do feto


Além de doenças cardiovasculares, uma gama de enfermidades da vida adulta pode estar conectada a condições enfrentadas pelo feto durante a gestação; cientistas sugerem que intervir na dieta pode minimizar esses riscos.

 

O risco de desenvolvimento de doenças crônicas é um reflexo de fenômenos que acontecem durante toda a vida de uma pessoa. Obviamente, o risco aumenta com a idade. Mas, ao contrário do que se poderia imaginar, no momento do nascimento, esse risco não é igual a zero. Isso porque o organismo do recém-nascido pode carregar uma programação metabólica que já o predispõe, quando adulto, a desenvolver determinados tipos de enfermidade. Quem explica é Thomas Ong, do Centro de pesquisa em Alimentos (FoRC – Food Research Center), professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP)

“O que acontece na barriga da mãe durante aqueles nove meses tem repercussões profundas na forma como o feto se desenvolve, e isso pode ficar registrado no organismo. Na vida adulta, pode modificar o metabolismo dos filhos e das filhas, e também influenciar os riscos prováveis de doenças crônicas. Estamos falando de doenças cardiovasculares, mas também de diabetes, obesidade e alguns tipos de câncer, como o de mama, que é foco do nosso grupo de pesquisa.”

Segundo Ong, a relação entre o desenvolvimento do feto e a predisposição a determinados tipos de doenças foi chamada por algum tempo de ‘programação fetal’, mas hoje há outro termo para designá-la: Origens Desenvolvimentistas da Saúde e Doença. “O termo deixa claro que o desenvolvimento do indivíduo tem conexão com as doenças crônicas. E desenvolvimento, nos seres humanos, pressupõe janelas importantes: a vida fetal é uma delas.”

Ele acrescenta que também a vida neonatal, a infância, a puberdade e as experiências da mãe durante a lactação são etapas importantes. “Eu considero, ainda, a pré-concepção como uma janela de desenvolvimento relevante: ou seja, a saúde da mãe e do pai antes da concepção.”

O preço da adaptação – O professor explica que, na década de 80, o epidemiologista David Barker aventou a possibilidade de que a ausência de nutrientes, durante a gestação, pudesse estar conectada a doenças cardiovasculares. Mais tarde, na década de 90, junto com o colega Nick Hales, sustentou que a adaptação do feto a condições adversas tinha um preço, que seria cobrado mais tarde, na vida adulta do indivíduo. A hipótese ficou conhecida como “hipótese do fenótipo econômico”.

“Nosso organismo é uma máquina fabulosa pois, mesmo que falte energia, a gente dá um jeito, e os bebês nascem. Mas esse “jeito” tem um custo, porque o cobertor de calorias, de energia e de nutrientes é curto. Então, prioriza-se o desenvolvimento do sistema nervoso central: do cérebro, que é o órgão mais nobre. Às custas do desenvolvimento de órgãos periféricos: fígado, coração, tecido adiposo…”

Existe também outro nível de adaptação, que ajuda a explicar enfermidades como a obesidade, por exemplo. “Na barriga da mãe, o feto que passa por algum tipo de condição adversa está recebendo a seguinte mensagem: ‘você vai enfrentar um mundo hostil lá fora, com falta de nutrientes.’ O feto, então, se adapta no sentido de maximizar a sobrevida num ambiente em que ele prevê que vai faltar comida, e se torna mais econômico com o pouco de energia que encontra.”

Mas, segundo Ong, quando a vida pós-natal é diferente do que foi previsto, acontece um descompasso metabólico. “O indivíduo se tornou mais eficiente metabolicamente, e está mais propenso a armazenar gordura, o que permite que ele sobreviva. Só que, quando nasce, ele encontra uma quantidade adequada de comida, às vezes até excesso. Então se infere que parte do risco de obesidade tenha a ver com esse tipo de situação.”

Pai e ambiente – O peso do ambiente no desenvolvimento de doenças crônicas foi algo reconhecido muito recentemente pela comunidade científica. Até a década de 80 acreditava-se que elas tinham origem estritamente genética. Assim, também, o peso do pai no desenvolvimento do feto foi algo tardiamente endereçado. A maioria dos estudos a esse respeito começou a ser publicada em 2010.

Ong, que vem estudando o impacto da herança paterna na incidência de câncer de mama em mulheres adultas, lembra que no pai, a importância do ambiente se evidencia, pois o homem produz espermatozoides durante toda a sua vida fértil, que dura décadas.

“Os espermatozoides são muito expostos ao ambiente. Fatores como nutrição, estado metabólico, nível de obesidade, tabagismo, etc. podem afetar a qualidade dos espermatozoides, e até a quantidade. Há maior nível de infertilidade em indivíduos obesos, por exemplo, os estudos mostram. Mas a qualidade do espermatozoide também é afetada e isso é muito importante porque, dependendo do estado do espermatozoide na hora da fecundação, essas informações podem ser transmitidas para o embrião e fixadas ali. E podem programar o desenvolvimento do feto e o risco para doenças crônicas na idade adulta.”

Neste momento, Ong se dedica a desenhar estudos para tentar verificar que intervenções podem ser feitas, na dieta do pai, para reverter uma programação fetal que venha a “cobrar” do indivíduo um alto preço mais tarde. “Outros grupos verificaram que uma intervenção com um mix de compostos bioativos, como licopeno, polifenóis do chá verde, zinco etc. ajuda nesse sentido. No nosso grupo está estudando a suplementação com selênio, porque no primeiro estudo que fizemos, vimos que a deficiência de selênio nos pais aumentou o risco de câncer de mama nas filhas. Chegamos a testar esse caminho, mas a suplementação não teve o impacto positivo que esperávamos. Deduzimos que o contexto metabólico do indivíduo que recebe a suplementação é muito importante, e vamos realizar novo experimento, agora com pais estressados metabolicamente”, adianta o professor.

Epigenética – Ong chama a atenção para a importância dos fenômenos epigenéticos. Segundo o pesquisador, em nosso organismo há o “hardware”, que é o nosso genoma (a sequência mesmo), e o “software”, que controla como nosso hardware funciona. E esse software são os fenômenos epigenéticos. “Cada tipo celular tem uma programação epigenética. Lembrando que nosso organismo tem vários tipos de célula, mas todas com o mesmo genoma, que foi determinado quando houve a fusão dos gametas. No entanto, em termos de morfologia e funcionalidade, uma célula do fígado e uma célula adiposa, por exemplo, são completamente diferentes. Parte dessa diferença tem a ver os programas epigenéticos, que são estabelecidos também no início da vida.”

A epigenética se refere a modificações acessórias à molécula de DNA, transmitidas por divisão celular, que não modificam a sequência de bases, mas podem regular a forma como e gene é expresso. “Um bom exemplo é a metilação do DNA, o mecanismo epigenético mais bem caracterizado: é uma modificação química que, entre outras coisas, pode suprimir a transcrição de determinados genes.”

Nutrientes demais – Hoje o mundo atravessa uma transição nutricional, e mais de 30% da população está obesa. “A ironia foi que percebemos que o excesso nutricional na origem da vida também resulta nas mesmas doenças: obesidade, diabetes, cardiovasculares… O excesso de nutrientes no início da vida também cobra seu preço, mesmo que a pessoa tenha uma dieta normal para o resto da vida.”

Seja como for, lembra Ong, os fenômenos epigenéticos são potencialmente reversíveis e há muitos grupos estudando isso, principalmente via manipulação da dieta. “No início da vida, o epigenoma é mais plástico, mas quando vamos envelhecendo, ele ‘endurece’ e é mais difícil manipular. ”

Enquanto os cientistas tentam responder se, por meio de intervenções alimentares, conseguirão modular os fenômenos epigenéticos e minimizar os riscos de doenças induzidas por eles nos adultos, o conselho de fundo não muda: ter uma dieta equilibrada e saudável, fazer exercícios regularmente, beber pouco e não fumar. Mais do que garantir bem-estar, essas atitudes prometem uma herança mais interessante para os pimpolhos.

 

Sobre o FoRC – Criado em 2013, o FoRC é um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Reúne equipes multidisciplinares de diferentes instituições de pesquisa do Estado de São Paulo: USP, UNICAMP, UNESP, Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL) e Instituto Mauá de Tecnologia (IMT). Suas linhas de pesquisa estão estruturadas em quatro pilares: Sistemas Biológicos em Alimentos; Alimentos, Nutrição e Saúde; Qualidade e Segurança de Alimentos e Novas Tecnologias e Inovação. Além de realizar pesquisas e promover a transferência de tecnologias e novos conhecimentos para a sociedade, o FoRC também realiza atividade de difusão do conhecimento científico.

 

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RCGI promove Workshop sobre aumento do uso de gás natural e bem estar social

Produção mundial de gás natural vem crescendo desde a crise de 2009, segundo a International Energy Agency; no Brasil, governo tenta fomentar o mercado de GN

No dia 12 de agosto, a partir das 14h, o FAPESP Shell Research Centre for Gas Innovation (RCGI) promove o Workshop “Perspectivas de aumento de uso de gás e impactos no bem estar social”. Os palestrantes serão Luis Antônio Bittar Venturi, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciência Humanas da USP e coordenador de um dos projetos do RCGI; Diogo Martins Teixeira, advogado associado ao esctitório Machado Meyer, especialista em direito aduaneiro e tributação indireta. O Professor Edmilson Moutinho dos Santos, coordenador do Programa de Políticas de Energia e Economia do RCGI será o mediador.

O evento é organizado pela equipe do RCGILex, coordenada pela professora Hirdan Medeiros Costa, e acontece na sede do RCGI, que fica no 1º andar do prédio da Engenharia Mecânica e Naval da Escola Politécnica da USP (Av. Professor Mello Moraes, 2231 – Butantã, São Paulo). É gratuito e aberto ao público em geral. Para se inscrever, basta enviar email para rcgi.lex@usp.br.

“A exposição será dividida em duas partes: a primeira se refere às evidências concretas da perspectiva de aumento do uso do gás natural, em nível mundial e nacional. A segunda alude aos possíveis efeitos desse aumento no nível de bem estar social, com base em alguns parâmetros como segurança energética, qualidade do ar e custos”, resume Venturi.

De acordo com a International Energy Agency (IEA), a produção global de gás natural vem aumentando desde a crise econômica de 2009. Em 2017, bateu um novo recorde de 3.768 bilhões de metros cúbicos, um aumento de 3,6% em relação a 2016 e o maior desde 2010. Enquanto isso, no Brasil, com o advento das reservas do pré-sal, o governo tenta mais uma vez estabelecer diretrizes para um mercado mais pujante e competitivo. Recentemente, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) publicou a Resolução 16 visando a implementação do Novo Mercado de Gás, programa de nível federal com o objetivo de expandir a indústria de gás no País, com a adesão dos Estados.

O evento faz parte de uma série de palestras e workshops desenvolvidos há quase dois anos pela equipe mantenedora do RCGILex – um conjunto de produtos editoriais digitais usados para compilar e analisar os marcos legais e regulatórios aplicados ao setor brasileiro de gás natural, desenvolvido no âmbito do Projeto 21 do RCGI.

“Os workshops e palestras geram conteúdo que retroalimentam a ferramenta RCGILex, onde aglutinamos as normas e as comentamos. E também nos proporcionam o aumento de nossa rede de contatos, a interação com outros projetos do RCGI e a constante atualização de nossos conhecimentos”, afirma a professora Hirdan K. Medeiros Costa.

 

Sobre o RCGI: O FAPESP SHELL Research Centre for Gas Innovation (RCGI) é um centro de pesquisa financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e pela Shell. Conta com 320 pesquisadores que atuam em 46 projetos de pesquisa, divididos em quatro programas: Engenharia; Físico/Química; Políticas de Energia e Economia; e Abatimento de CO2. São projetos que visam reduzir as emissões globais de gases de efeito estufa (GEEs), em especial o CO2.

 

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Palestra aborda perspectivas atuais de regulação do setor do gás natural

Especialista do setor fala sobre a nova Resolução CNPE 16, sobre o papel da ANP e os preços do gás natural no Brasil; evento acontece na sede do RCGI, em São Paulo

 

Paulo César Ribeiro Lima, engenheiro com uma longa trajetória no setor de petróleo e gás natural, estará no FAPESP Shell Research Centre for Gas Innovation (RCGI) no próximo dia 31 de julho, da 11 às 12 horas, ministrando a palestra “Perspectivas de regulação do gás natural no Brasil”. Ribeiro Lima foi consultor legislativo do Senado Federal e da Câmara dos Deputados por 15 anos, professor da Programa de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COOPE/RJ), além de funcionário do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes).

Organizada pela equipe do RCGILex, coordenada pela professorta Hirdan Katarina de Medeiros Costa, a palestra acontece na sede do RCGI, no 1º andar do prédio da Engenharia Mecânica e Naval da Escola Politécnica da USP (Av. Professor Mello Moraes, 2.231, Cidade Universitária, São Paulo). É gratuita e aberta ao público em geral. Para se inscrever, basta enviar e-mail para rcgi.lex@usp.br.

“Vou abordar a Resolução 16 do CNPE, o papel da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis – a ANP – na regulação do setor do gás e esmiuçar um pouco os motivos que fazem os preços do gás continuarem tão altos no Brasil”, resume Ribeiro Lima, que vem de Brasília também para participar de uma banca de doutorado de um dos pesquisadores do RCGI, em São Paulo.

Segundo ele, a ANP deveria ter uma postura mais assertiva na regulação do setor gasífero brasileiro. “A Agência aprova o plano de exploração dos campos sem considerar o aproveitamento econômico do gás. Isso, em outros países, seria inadmissível. A reinjeção de gás natural vem aumentando muito no Brasil. E o gás natural reinjetado não paga royalties. É como se não existisse. Isso, no final das contas, acaba prejudicando a própria União já que, nos contratos de partilha, por exemplo, parte do óleo e do gás natural extraídos pertence à União”, argumenta ele.

Novo mercado – Para Ribeiro Lima, a Resolução 16, recentemente editada pelo Conselho Nacional de Política Enrgética (CNPE) com as diretrizes para a implementação do Novo Mercado de Gás, vai na direção correta. Mas o mercado não resolverá, sozinho, os problemas do preço do gás natural, como apregoam integrantes do governo federal.

“Um bom exemplo: vendemos a NTS e a TAG, duas transportadoras de gás que pertenciam à Petrobras.  A TAG foi vendida por US$ 8,6 bilhões. Destes, mais de US$ 20 milhões foram emprestados dos bancos. Ou seja: as empresas terão de pagar esse dinheiro aos bancos. Quando forem apresentar suas planilhas de custo, irão argumentar que precisarão amortizar os US$ 8,6 bilhões e que precisarão pagar os bancos. Ou seja: acabou qualquer possibilidade de redução da tarifa de transporte de gás no Brasil.”

Privilégio – O evento faz parte de uma série de palestras e workshops desenvolvidos há quase dois anos pela equipe mantenedora do RCGILex – um conjunto de produtos editoriais digitais usados para aglutinar e analisar os marcos legais e regulatórios aplicados ao setor brasileiro de gás natural, desenvolvido no âmbito do Projeto 21 do RCGI.

“Trazer convidados de fora para dar palestras e workshops, enriquecendo o conteúdo de nossas publicações, é um dos objetivos do RGILex. Incentivamos o diálogo e a interação constante entre mercado e academia. O Paulo César é um especialista com uma experiência imensa no setor de óleo e gás, e muito prestígio no mercado. É um privilégio poder contar com ele”, afirma a professora Hirdan Katarina de Medeiros Costa.

 

Conheça o palestrante:

Paulo César Ribeiro Lima: Depois de se formar em engenharia, na Universidade Federal de Minas Gerais, foi aprovado em concurso da Petrobras, onde trabalhou por cerca de 16 anos. Atuou no Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), no desenvolvimento de tecnologias para exploração e produção de petróleo em águas profundas. Fez mestrado em engenharia na Universidade Federal do Rio de Janeiro e doutorado na Universidade de Cranfield, na Inglaterra. Também foi professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE) e do Instituto de Ensino Superior Planalto. Em 2002, fez concurso para consultor legislativo do Senado e da Câmara dos Deputados para Economia-Minas e Energia, sendo aprovado em ambos. Ao longo dos seus 15 anos de trabalho como consultor legislativo, participou ativamente do processo legislativo no Congresso Nacional, com destaque para os novos marcos legais do pré-sal, dos royalties para a educação e saúde, dos biocombustíveis, do setor elétrico e do setor mineral.

 

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Comissão de Apoio à Comunidade do ICB-USP auxilia alunos, professores e funcionários em conflitos  

 

A CAC-ICB conta com psicólogas e psicanalistas voluntárias que atendem pessoas da comunidade do ICB em situações de fragilidade. Desde janeiro de 2018, foram atendidas 148 pessoas vinculadas ao instituto.

 

Em novembro de 2017, o Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) criou a Comissão de Apoio à Comunidade (CAC), com o intuito de auxiliar no cuidado da saúde mental de todos os integrantes da unidade. Desde então, a comissão atua voluntariamente no incentivo à empatia e à comunicação entre professores, alunos e funcionários, e na prevenção e preocupação com pessoas com conflitos.

A CAC é coordenada pelo professor Paulo Abrahamsohn e pelas professoras Silvana Chiavegatto e Dânia Emi Hamassaki. Atualmente, conta com 11 membros – entre eles, a psicóloga Margareth Labate, que realiza a maior parte dos atendimentos com a psicanalista Nancy Rebouças. Um dos compromissos principais da comissão é manter sigilo sobre os agendamentos efetuados pelas pessoas interessadas, de modo a garantir sua segurança e privacidade. “As consultas podem ser agendadas por e-mail e apenas um membro da CAC possui a senha de acesso”, garante o coordenador Abrahamsohn.

De janeiro de 2018 a junho de 2019, foram atendidas 200 pessoas, sendo 148 do ICB, 34 de outras unidades e 18 pessoas externas à USP. A maioria (65%) foi atendida em até três sessões, 20% realizou entre quatro e seis sessões, 6% entre sete e nove sessões e 9% a partir de 10 sessões. Entre os atendidos do ICB, 27% são alunos de Doutorado, 24% alunos de Mestrado, 19% da graduação, 18% funcionários, 7% pós-doutorandos e 5% docentes. Entre os alunos de graduação, 75% estão no 1º ou 2º ano de seu curso.

Em uma pesquisa realizada com 32 indivíduos atendidos, todos confirmaram que recomendariam o atendimento da CAC a outras pessoas e 31 descreveram as atividades da CAC como muito importantes para a comunidade.

Suporte coletivo – Além dos atendimentos, a CAC também visa incentivar a comunicação entre as pessoas e já realizou uma série de ações com essa finalidade, como palestras de desenvolvimento pessoal. Em 2018, a comissão promoveu uma grande campanha dentro do ICB para o Setembro Amarelo e, durante todo o mês, a psicóloga Margareth Labate realizou plantão na unidade.

Segundo o professor Paulo Abrahamsohn, a constante pressão e as múltiplas atividades presentes no ambiente universitário, tanto para os alunos quanto para os docentes, dificulta a comunicação entre os indivíduos. “Uma frase que eu sempre digo para os alunos é: ‘existe vida fora dos laboratórios e fora das salas de aula’. É importante aprender a gerenciar as atividades do dia a dia e promover o convívio social”, ressalta.

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USP inaugura laboratório de processos catalíticos

Um dos objetivos é desenvolver catalisadores para reações que utilizam CO2 como matéria prima; RCGI ajudou a custear as novas instalações.

No próximo dia 12 de julho será inaugurado, em São Paulo, o Laboratório de Pesquisa e Inovação em Processos Catalíticos – LaPCat, do Departamento de Engenharia Química da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (PQI-POLI-USP). O evento acontece das 10h ao meio dia e começa com uma apresentação feita pelos professores Martin Schmal, Rita Maria de Brito Alves e Cláudio Augusto Oller do Nascimento, da Poli-USP, no Anfiteatro Priscila Aya Shimizu, no Bloco 19 do PQI, no Conjunto das Químicas, Campus Butantã. Na sequência, será realizada uma visita guiada ao laboratório e, após o “tour”, um coquetel será oferecido para os convidados.

As instalações ficam no andar térreo do edifício conhecido como Semi Industrial (Bloco B), anexo ao Conjunto das Químicas da USP, em uma área de 400 m² que também abriga o Laboratório de Polímeros, coordenado pelo professor Reinaldo Giudici. “Fizemos uma reforma e uma área comum aos dois grupos de pesquisa: polímeros e processos catalíticos. Ela abriga espaços de preparação, calcinação, caracterização física, térmica, química e in-situ etc. Separadamente, cada um dos grupos tem espaços exclusivos. Temos também uma área para instalação futura de plantas piloto”, resume a professora Rita.

Integrante do FAPESP Shell Research Centre for Gas Innovation (RCGI), ela explica que no novo laboratório são desenvolvidos catalisadores para algumas reações e processos, como a tri-reforma do metano para produção de gás de síntese (syngas) para uso como matéria prima para combustíveis e produtos químicos, a reação de Fischer-Tropsch para produção de combustíveis, hidrocarbonetos leves e olefinas, a reação conhecida como Water Gas Shift para produção de hidrogênio, e a reação de hidrogenação de COpara produção de DME (Dimetil Éter), que pode ser utilizado como combustível.

“O diferencial é o estudo de novos materiais para o desenvolvimento de catalisadores. O uso desses insumos para elaboração de catalisadores é muito recente no mundo”, enfatiza o consultor do laboratório e especialista em catálise, Martin Schmal, professor colaborador da Poli-USP. De acordo com ele, essas tecnologias de catálise ainda não estão sendo usadas pela indústria. “Os estudos estão avançando e acreditamos que elas têm futuro.”

A maior parte da verba para reformar o Laboratório de Pesquisa e Inovação em Processos Catalíticos veio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). A Shell, por meio do RCGI, também ajudou a custear parte das instalações, que receberam, ainda, verba oriunda de outros projetos desenvolvidos pela equipe que coordena o espaço.

Abatimento de CO2 – Tanto a tri-reforma do metano como a produção de DME utilizam CO2 como matéria prima e, por isso, podem ser consideradas como iniciativas de CCU (Carbon Capture and Utilization). A CCU vem sendo apontada como um dos caminhos promissores para a redução das emissões globais de CO2.

Segundo Rita, o CO2 usado como matéria prima pelas reações estudadas pode vir de diversas procedências, entre elas o pré-sal, que tem um gás natural rico em CO2; uma termoelétrica; ou o biogás. “Muitos grupos de pesquisa estão investigando processos para transformar o CO2 em produtos de alto valor agregado. Assim, ele passa de resíduo a matéria prima”, diz ela.

“Há vários estudos sobre a obtenção de produtos de alto valor agregado a partir de biomassa, por exemplo. Mas é preciso purificar os produtos obtidos. E, para isso, muitas vezes são necessários catalisadores específicos”, ressalta Schmal.

Ele lembra que o LaPCat é multiusuário, aberto aos pesquisadores da USP e de outras universidades, mas também a parcerias com a iniciativa privada por meio de projetos de pesquisa. “Temos condições de fazer estudos aplicados para a indústria. Já fomos procurados por uma empresa química de São Paulo, para fazer um projeto. Estamos delineando os termos”, adiantou ele.

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RCGI estuda o potencial de rochas para estocar carbono emitido pelo maior complexo brasileiro de termelétricas

Projeto vai avaliar potencial de armazenagem de folhelhos, arenitos, basaltos e argilitos da Bacia do Paraná para armazenamento do CO2 capturado nas UTEs do complexo Jorge Lacerda.

O Fapesp Shell Research Centre for Gas Innovation (RCGI) está começando a estudar as rochas na região do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda, no sul-sudeste de Santa Catarina, no intuito de saber se podem ser usadas para estocagem de CO2. Coordenado pelo professor Colombo Tassinari, pesquisador do RCGI e docente dos Institutos de Energia e Ambiente (IEE/USP) e de Geociências (IGc/USP), o projeto é motivado por uma parceria do IEE/USP com a Associação Brasileira de Carvão Mineral (ABCM), que está buscando políticas e tecnologias que diminuam as emissões de CO2 do carvão mineral usado nas Usinas Termelétricas (UTEs).

“Eles nos procuraram no IEE quando souberam que estávamos trabalhando com caracterização de material geológico para estocar carbono, porque estão desenvolvendo sistemas para capturar CO2 na boca das fontes emissoras de CO2. O gás capturado necessita de locais próximos para ser armazenado. As usinas movidas a carvão emitem mais CO2 que do que as movidas a óleo e a gás”, resumiu Tassinari.

O complexo tem três usinas: Jorge Lacerda A, com duas unidades geradoras de 50 MW e duas de 66 MW cada; Jorge Lacerda B, com duas unidades de 131 MW cada; e Jorge Lacerda C, com uma unidade geradora de 363 MW, totalizando 857 MW. Elas emitem material particulado, óxidos de nitrogênio (NOx) e dióxido de enxofre (SO2).

O projeto teve início com a seleção da geóloga Maria Rogieri Pelissari como bolsista. Aluna de mestrado do Programa de Pós-Graduação em Energia do IEE, ela está começando a caracterizar as rochas sedimentares do entorno do complexo das UTEs que tenham potencial de estocagem do CO2 emitido pelas usinas.

“Vamos estudar folhelhos, arenitos, basaltos e argilitos de diversas formações geológicas que estejam o mais próximo possível do complexo termelétrico. A área está dentro da Bacia Sedimentar do Paraná, embora o complexo de UTEs não esteja localizado sobre ela., explica o geólogo e professor do IEE, também coordenador do projeto 36 do RCGI (Armazenamento de Carbono em Reservatórios Geológicos no Brasil: Perspectivas para CCS em Reservatórios de Petróleo Não Convencionais “onshore” e em Bacias Sedimentares “offshore” do Sudeste do Brasil).

Segundo ele, essas rochas estão em profundidades diferentes e têm características diferentes. “Para checar a viabilidade de uso delas como repositórios de carbono é preciso realizar diversos tipos de análises com cada uma delas e vários estudos geológicos. No mestrado da Maria Pelissari vamos focar mais os folhelhos, dos quais serão coletadas amostras em campo, que serão posteriormente analisadas. Já o potencial de armazenamento das outras rochas vamos abordar principalmente, com base nos dados da literatura existente.”

De acordo com ele, dentre as rochas selecionadas o folhelho ainda é pouco estudado para a armazenagem do CO2 e tem a vantagem de ser o único que consegue reter o CO2 sem precisar da cobertura de outras rochas. “Nos arenitos, basaltos e argilitos só é possível armazenar o carbono se existirem armadilhas, como a presença de rochas selantes, que impediriam o escape do CO2 estocado.  Os folhelhos, por conterem matéria orgânica e argilas que retêm por adsorção o CO2, têm o poder de reter dentro dele o CO2 injetado, sem a necessidade de rochas selantes por longo tempo.”

A tecnologia de Captura e Estocagem de Carbono (do inglês, Carbon Capture and Storage – CCS) é uma das soluções apontadas pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) para mitigação de emissões de gases causadores do efeito estufa (GEEs). Ela consiste na captura de CO2, compressão, transporte e injeção em reservatórios em unidades geológicas, para estocagem permanente.

 

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Curso sobre redação de patentes é ministrado por colaborador do ICB-USP em todo o Brasil

O pesquisador Henry Suzuki, colaborador do ICB-USP e da AUSPIN, irá promover um workshop em diferentes cidades para profissionais da área de ciência, empreendedorismo e inovação. Em São Paulo, o curso será realizado nos dias 22 e 23 de julho.

 

O “Workshop Redação de Patentes: além dos guias” ocorrerá em São Paulo nos dias 22 e 23 de julho, no auditório da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, na Cidade Universitária. A iniciativa é da Axonal Consultoria Tecnológica, que conta com o apoio de mais de 150 instituições que atuam na área de pesquisa e inovação, como o Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) e a Agência USP de Inovação (AUSPIN). No total, serão 75 edições gratuitas ao longo de 2019 em todos os estados brasileiros.

O responsável por ministrar o curso será Henry Suzuki, diretor geral da Axonal e pesquisador colaborador do ICB-USP e da AUSPIN. Cada edição terá dois dias de duração: o primeiro será focado na revisão de aspectos conceituais sobre patentes e seu impacto na estratégia de redação e de tramitação, enquanto o segundo dia será composto por atividades práticas guiadas para exercitar a lógica de leitura e redação. Serão realizadas, ainda, oficinas de busca de patentes e mapeamento de segmentos tecnológicos.

Segundo Suzuki, a ideia da realização das oficinas em âmbito nacional surgiu devido a uma escassez de conhecimento sobre patentes por parte dos brasileiros. “Embora estejamos na era do conhecimento, ainda são poucos os brasileiros que sabem como proteger suas criações e como utilizar informações de patentes de terceiros”, explica.

O pesquisador conta que já perdeu invenções por não saber protegê-las e pretende ajudar os outros profissionais nesse sentido. “Acredito que o trabalho em rede e o compartilhamento de conhecimentos sobre propriedade intelectual e sobre o uso de informações contidas em patentes pode ajudar a mudar o nosso país”.

O curso é voltado para pesquisadores, empresários, gestores e inventores, e não é necessário conhecimento prévio sobre patentes para participar. As inscrições são limitadas e podem ser feitas gratuitamente pelo site www.axonal.com.br/capacitacao, onde também consta a relação dos cursos que serão ministrados em outras cidades.

 

Serviço:

Workshop Redação de Patentes: além dos guias
Data: 22 e 23 de julho de 2019
Horário: 8h30 às 16h30
Local: Auditório da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin (Rua da Biblioteca, 21, Cidade Universitária – Butantã, São Paulo)
Inscrições pelo site: www.axonal.com.br/capacitacao
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